No último dia 30 de junho, Viih Tube lançou o primeiro episódio do seu reality show intitulado 'As Patroas', onde funcionários competem por um prêmio de R$ 20 mil. A proposta do programa, no entanto, gerou críticas e resultou em uma investigação pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que questiona a veracidade da dinâmica apresentada aos espectadores.
Segundo a influenciadora e seu marido, Eliezer, o programa teria como objetivo conscientizar o público sobre a escala 6x1, uma prática considerada abusiva em relações de trabalho. Essa revelação, no entanto, levantou questionamentos sobre a ética de utilizar um formato de entretenimento para transmitir uma mensagem social, ao mesmo tempo em que se esconde a verdadeira intenção por trás do conteúdo.
A estratégia do engajamento e suas consequências
O uso de artifícios como enganar ou ocultar informações para atrair a atenção do público não é uma novidade nas redes sociais, mas especialistas afirmam que essa abordagem está perdendo eficácia. Em entrevista ao g1, Priscila Milk, especialista em redes sociais, destacou que o algoritmo das plataformas não faz distinção entre comentários positivos e negativos, o que significa que conteúdos polêmicos podem inflar métricas e gerar receita, independentemente do teor.
“Hoje falamos do ‘rage bait’, que se refere ao engajamento gerado pelo ódio. Essa estratégia pode inflar os números e resultar em lucro”, afirma Milk. Ela observa que, mesmo em meio a controvérsias, influenciadores conseguem atrair novos seguidores e apresentar dados inflacionados em relatórios para empresas que desejam fazer parcerias.
O desgaste da confiança do público
Mariana Munis, professora de Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Mackenzie, ressalta que o público está se tornando menos tolerante a mentiras e enganos. “As pessoas estão cansadas de serem enganadas. Muitos influenciadores ainda acreditam que suas estratégias de engajamento de anos atrás ainda funcionam, mas o público evoluiu”, comenta.
Ela argumenta que o uso de mentiras pode quebrar a confiança entre criadores de conteúdo e suas audiências. “Uma vez que essa confiança é rompida, é difícil reconquistá-la. Marcas podem hesitar em se associar a influenciadores que frequentemente se envolvem em polêmicas”, adverte Munis.
Além disso, a questão legal também é relevante. O advogado Márcio Casado explica que, embora a legislação brasileira não trate diretamente de mentiras em marketing digital, o Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado em casos de propaganda enganosa. “O artigo 37 do CDC afirma que não é necessário ter a intenção de enganar. Se o conteúdo induz o público ao erro, o responsável pode ser responsabilizado”, conclui.
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