Soldados ucranianos manifestam indignação após a decisão do presidente Volodymyr Zelensky de não reconduzir Mykhailo Fedorov ao cargo de ministro da Defesa. A mudança, anunciada durante uma recente reformulação ministerial, gerou confusão e raiva entre as tropas em um momento crítico da guerra contra a Rússia.

Um soldado, que prefere permanecer anônimo, expressou sua frustração em um vídeo divulgado no Telegram: "Minha operação está marcada para amanhã. Espero que, quando eu acordar após a anestesia, Fedorov esteja de volta ao Ministério da Defesa. Caso contrário, tudo pelo que lutei terá sido em vão." Essa declaração reflete o sentimento coletivo de descontentamento entre os militares.

Protestos e descontentamento nas fileiras militares

A insatisfação entre os soldados é palpável, conforme revelado por uma soldado identificada como Maryna. Ela descreveu a demissão como um "tapa na cara de todos os membros do serviço militar" e destacou a dificuldade de expressar sua frustração. Apesar das manifestações em várias cidades ucranianas, Maryna acredita que a raiva popular não resultará em mudanças significativas.

Outro soldado, Natasha, observou que os protestos estão distantes da brutalidade do front: "Ontem, nossas posições foram atingidas por sistemas de foguetes múltiplos. Ninguém se importava com Fedorov ou os cartazes de papelão." Apesar disso, muitos soldados admiram as inovações promovidas por Fedorov durante seu breve mandato, que incluiu a implementação de tecnologias modernas no exército.

Conflitos internos e mudanças na liderança militar

Fedorov, que serviu como ministro da Transformação Digital antes de assumir a Defesa, é amplamente reconhecido por ter introduzido inovações significativas, como o uso de drones e a criação de um programa que recompensa unidades de combate por cada soldado russo abatido. As tensões entre Fedorov e o comandante das forças armadas, Gen Oleksandr Syrskyi, culminaram na demissão do ministro, com Zelensky afirmando que os dois não conseguiam conviver no mesmo ambiente.

Enquanto alguns soldados criticam Syrskyi como um "fóssil" da era soviética, outros reconhecem sua experiência, destacando que não há substituto à altura no exército. A saída de Fedorov levanta preocupações sobre o futuro das reformas e inovações que ele trouxe ao Ministério da Defesa. Daria Kaleniuk, diretora executiva do Centro de Ação Anticorrupção da Ucrânia, expressou temor de que os avanços conquistados sejam revertidos em um momento crítico para o país.

A situação também suscita críticas à liderança de Zelensky, que tem sido acusado de adotar comportamentos autoritários ao demitir ou marginalizar oficiais populares e eficazes. Ivan Stupak, analista militar, observou que Zelensky parece estar se comportando como os políticos que costumava criticar, ressaltando que as manifestações atuais evocam um sentimento de déjà vu, semelhante aos protestos de um ano atrás que exigiram a preservação de corpos anticorrupção.