Um surto de HIV em Karachi, capital da província de Sindh, resultou na confirmação de pelo menos 130 casos positivos, a maioria entre crianças. O surto está relacionado a um hospital público, o Kulsum Bai Valika (KBV), onde foram realizadas mais de 10.500 triagens nas últimas semanas, segundo o ministro do Trabalho de Sindh, Saeed Ghani.
A crise foi identificada inicialmente em novembro de 2025, quando moradores notaram um aumento de infecções entre crianças tratadas no hospital. Entretanto, a origem do surto remonta a outubro de 2025, quando seis casos positivos foram reportados ao departamento de saúde provincial.
Investigação revela falhas nos protocolos de segurança
Em 14 de julho, o chefe do governo provincial, Murad Ali Shah, foi informado sobre duas investigações internas que apontaram sérias falhas, como a inadequada adesão aos protocolos de prevenção de infecções e o manuseio impróprio de seringas descartáveis. A primeira investigação, apresentada em novembro, identificou 16 crianças HIV-positivas ligadas ao departamento de pediatria do KBV. Uma segunda investigação, mais abrangente, confirmou 78 infecções e seis mortes, responsabilizando funcionários do hospital por falhas administrativas.
Desde então, o número de casos aumentou, levando a um rastreamento contínuo, apesar das preocupações sobre a possibilidade de novos casos surgirem. Ghani afirmou que todos os casos haviam sido rastreados para exposições anteriores a outubro de 2025 e que medidas seriam tomadas contra os responsáveis.
Contexto mais amplo do surto de HIV no Paquistão
Esse surto não é um caso isolado. Em dezembro passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNAIDS destacaram o Paquistão como um dos países com a epidemia de HIV que mais cresce na região do Mediterrâneo Oriental, com um aumento de 200% nas infecções anuais nos últimos 15 anos. Em 2024, o país registrou 48.000 novas infecções, um aumento significativo em relação às 16.000 em 2010.
Além disso, as infecções entre crianças de 0 a 14 anos aumentaram de 530 em 2010 para 1.800 em 2023. Apenas 38% das crianças vivendo com HIV recebem tratamento, enquanto apenas 14% das mulheres grávidas que necessitam de terapia para prevenir a transmissão de mãe para filho têm acesso.
Especialistas apontam que a epidemia no Paquistão é impulsionada, em grande parte, pelo próprio sistema de saúde, com práticas médicas inseguras levando a repetidos surtos. Pesquisadores destacam a falta de um sistema abrangente de vigilância para determinar a origem das infecções, se de ambientes de saúde ou de outras formas de transmissão.
O governo provincial do Sindh, por sua vez, anunciou a criação de um fundo de 2 bilhões de rúpias para o cuidado a longo prazo das crianças afetadas e uma auditoria de terceiros dos sistemas de controle de infecções do KBV. A situação é preocupante e requer atenção urgente das autoridades de saúde.
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