Layla, uma professora de matemática e mãe de três filhos, viveu na Síria até recentemente. Ela e sua família são alauitas, a mesma seita religiosa do ex-ditador sírio Bashar Assad, frequentemente alvo de ataques por ser considerada aliada de Assad.

Em 2024, quando rebeldes entraram pela primeira vez em Damasco após a queda do regime de Assad, Layla sentiu medo. Um estranho chegou à porta dela e disse: 'Sabemos que sua filha toca piano e dança. Você deve parar isso. Se não, talvez levaremos ela para a casa das irmãs.', contou Layla.

A 'casa das irmãs' é um termo usado para locais onde mulheres de outras seitas seriam forçadas a converter-se ao Islã. Layla decidiu deixar a Síria junto com sua família, agora em黎巴嫩。

"Não quero que meus filhos cresçam dessa maneira", explicou Layla.

Entenda o 'house of sisters'

Relatos sobre a 'casa das irmãs' ganharam destaque em maio de 2026, quando Batoul Alloush, uma estudante universitária alauita de 21 anos, desapareceu e posteriormente apareceu usando roupas religiosas, dizendo ter saído de casa para converter-se ao Islã.

Psicóloga Reham Suleiman, que trabalha para a ONU e comunitariamente com alauitas, relatou conhecer casos de mulheres desaparecidas. 'Algumas dessas mulheres foram raptadas por dinheiro, vingança ou casamento forçado', afirmou.

Organizações como a Amnistia Internacional e a Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria afirmam que os casos, que variam entre 40 e 60, ainda não foram investigados completamente.