O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que os ataques militares contra o Irã serão intensificados na próxima semana, caso Teerã não participe das negociações de paz nos próximos dias. A declaração foi feita em entrevista à Fox News na noite de terça-feira.

Trump indicou que a situação tende a piorar, uma vez que o frágil cessar-fogo acordado no mês passado está se deteriorando. “Vamos atingi-los com força esta noite. Vamos atingi-los com força amanhã à noite. Vamos atingi-los com muita força na noite seguinte”, afirmou.

Alvos estratégicos em foco

O presidente norte-americano acrescentou que as forças dos EUA planejam focar em infraestruturas críticas do Irã na próxima semana, a menos que haja um avanço diplomático. “Na próxima semana, a situação ficará realmente complicada para eles, porque serão as usinas de energia. Vamos derrubar todas as usinas de energia deles. Vamos derrubar todas as pontes deles, a menos que eles venham à mesa e negociem”, declarou Trump.

A entrevista de Trump ocorreu após o Comando Central dos EUA realizar novos ataques contra o Irã na mesma terça-feira. Em resposta, Teerã lançou ataques em vários países do Golfo.

Consequências econômicas e incertezas no mercado

Na semana passada, os EUA atacaram dezenas de alvos iranianos como retaliação a ataques a navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Trump declarou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã estava “acabado”. Como resultado, os preços do petróleo subiram na manhã de quarta-feira, com preocupações sobre a segurança do transporte através do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio de petróleo no Oriente Médio. Os futuros do petróleo Brent mantiveram-se acima da marca de US$ 85 por barril.

Jakob Larsen, diretor de segurança da BIMCO, uma entidade internacional de transporte marítimo, comentou sobre a situação atual, afirmando que é “difícil” para a indústria navegar em meio a tantas mensagens contraditórias. “Toda essa troca de informações, que muda completamente de direção, apenas aumenta a confusão e a complexidade da situação”, disse ele.

Mike Rosenberg, professor de gestão na IESE Business School, afirmou que não parece haver progresso em direção a um acordo para encerrar o conflito. Ele observou que a recente volta à guerra evidencia que os termos do Memorando de Islamabad, assinado por Trump em 14 de junho, eram irrealistas na época. Segundo ele, enquanto ambas as partes buscarem um acordo que permita reivindicar vitória, um resultado positivo parece distante.

Rosenberg sugeriu que o melhor que os EUA podem esperar agora é uma nova versão do plano de ação conjunto elaborado por Obama, o que ele acredita ser difícil para Trump aceitar. “A administração Trump subestimou a determinação iraniana e não tem uma saída fácil”, concluiu.