A Ucrânia tem realizado uma série de ataques ao sistema de refino da Rússia desde março, resultando na redução da capacidade de processamento de petróleo cru ao menor nível em 21 anos. Essa ofensiva forçou Moscou a proibir a exportação de gasolina, diesel e combustíveis de aviação.

Dados da Energy Aspects, citados pela Bloomberg, indicam que as refinarias russas processaram em média 3,91 milhões de barris de petróleo por dia no início de julho, o que representa uma queda de mais de 1,4 milhão de barris por dia em relação à média do ano anterior, o menor índice desde março de 2005. Ao longo dos últimos 100 dias, a Ucrânia atacou pelo menos 24 das 34 grandes refinarias da Rússia em cerca de 50 ações.

Impactos dos Ataques nas Refinarias Russas

O ataque à refinaria de Omsk em 6 de julho eliminou o último refúgio geográfico dentro do sistema de refino russo. Omsk, a maior refinaria do país, processou cerca de 22 milhões de toneladas de petróleo em 2024. O ataque danificou unidades primárias de destilação, essenciais para o processamento de petróleo bruto.

Desde então, diversas refinarias, incluindo Saratov, Kirishi e Norsi, foram severamente afetadas, com algumas paralisando operações ou perdendo capacidade significativa. A refinaria de Moscou, uma das mais atingidas, pode permanecer offline até o final do ano.

Consequências no Mercado de Combustíveis

A Rússia parou de publicar muitos dados sobre suas refinarias à medida que os ataques se intensificaram. No entanto, o comércio de combustíveis na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo revela a magnitude da perda de suprimentos. As vendas diárias de gasolina e diesel caíram de uma média de 118.000 a 150.000 toneladas de janeiro a março para apenas 80.300 toneladas em junho, uma redução de 38% em relação ao mesmo mês de 2025.

As restrições de combustível se espalharam por diversas regiões da Rússia, com relatos de longas filas em postos de gasolina. Para lidar com a escassez, o governo russo começou a importar combustíveis acabados, recebendo gasolina de países como Índia e Belarus.

Além disso, a Rússia proibiu a exportação de gasolina em abril, seguida pela proibição de combustíveis de aviação em junho e, mais recentemente, de diesel em julho. Essa sequência de proibições reflete a crescente pressão sobre a capacidade de produção doméstica da Rússia.

O impacto global também é significativo, com o aumento das margens de refino de diesel na Europa e a necessidade de países como Turquia e Brasil de substituir os carregamentos russos por barris de outros fornecedores.