O presidente da China, Xi Jinping, anunciou na sexta-feira (17.jul.2026) a criação da Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), uma nova entidade destinada a governar e desenvolver tecnologias de IA em um ambiente colaborativo. A iniciativa, conforme antecipado pelo Poder360, representa uma estratégia da China para se afirmar como líder global na governança da inteligência artificial.

Durante seu discurso, Xi enfatizou que a essência da Waico é a colaboração entre nações, com o objetivo de promover um desenvolvimento tecnológico mais inclusivo e acessível. O presidente chinês destacou a preocupação com o que considera um monopólio no avanço das IAs, atualmente dominado por uma rivalidade entre China e Estados Unidos, e se comprometeu a trabalhar para mudar essa dinâmica.

“A China está pronta para ser mais aberta e tomar medidas mais práticas”, afirmou Xi, acrescentando que o país busca unir esforços com outras nações para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que a IA oferece. “Estamos prontos para trabalhar com todas as partes para criar um futuro melhor para a humanidade”, completou.

A criação da Waico foi anunciada no primeiro dia da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (Waic), que ocorre em Xangai entre os dias 17 e 20 de julho. A presença de Xi no evento, que é a nona edição da conferência, sinaliza a importância que a China atribui à inteligência artificial para o futuro.

Diretrizes para a governança da IA

Em seu discurso, Xi Jinping apresentou quatro diretrizes fundamentais que a Waico deverá seguir para a governança da inteligência artificial:

  • Aderir ao princípio da abertura e da cooperação vantajosa para todos, promovendo um desenvolvimento orientado pela inovação;
  • Fortalecer a consciência dos riscos e assegurar que a IA seja segura e controlável;
  • Incentivar a inclusão e promover a aprendizagem mútua entre civilizações;
  • Defender a solidariedade e aprimorar a governança global.

Participação do Brasil e de outros países

A Waico foi oficialmente lançada em uma cerimônia na quinta-feira (16.jul), conduzida pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, onde 30 países assinaram o documento de criação da organização. O Brasil figura entre os membros fundadores, ao lado de nações como Rússia, Paquistão e Argélia.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, esteve presente no evento e manifestou apoio à nova organização. No entanto, países ocidentais de destaque, como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Índia, optaram por não integrar a Waico, o que levanta questões sobre a aceitação e a influência da organização no cenário global.

Além do Brasil, os outros membros fundadores incluem:

  • China;
  • Rússia;
  • Paquistão;
  • Argélia;
  • África do Sul;
  • Bielorrússia;
  • Camboja;
  • Camarões;
  • Congo;
  • Cuba;
  • Cazaquistão;
  • Etiópia;
  • Indonésia;
  • Quênia;
  • Quirquistão;
  • Laos;
  • Lesoto;
  • Malásia;
  • Moçambique;
  • Mianmar;
  • Nicarágua;
  • Omã;
  • Senegal;
  • Sérvia;
  • Tajiquistão;
  • Uzbequistão;
  • Venezuela;
  • Zâmbia.