Sue Kreitzman, uma artista de 85 anos, originária de Nova York, encontrou sua verdadeira vocação apenas aos 58 anos, após carreiras como professora, autora de livros de receitas e chef de televisão. A mudança de trajetória ocorreu quando, ao revisar os proofs de seu último livro de receitas, ela desenhou uma sereia, que, segundo ela, 'tomou conta' de sua vida.
Desde então, Kreitzman abandonou a escrita de livros de culinária e se dedicou intensamente ao desenho, criando uma casa que é uma verdadeira instalação de arte. Seu lar no Mile End está repleto de imagens e esculturas coloridas, ocupando cada parede, mesa e corredor.
Uma vida de arte e amizade
Embora tenha uma empregada doméstica, Kreitzman mantém sua casa livre de poeira com um método que ela descreve como 'um pouco de cada vez'. Além disso, conta com a ajuda de Jaime Freestone, seu curador e amigo próximo, que organiza as exibições, incluindo uma coleção de bustos egípcios e cabeças de bonecas. Freestone conheceu Kreitzman por e-mail, buscando orientação e se tornou um dos seus amigos mais próximos.
Freestone compartilha que, ao primeiro contato, a casa de Kreitzman parecia 'um pouco esmagadora', mas agora é um espaço seguro e acolhedor, especialmente para pessoas LGBT e aqueles em busca de mentoria.
Criações pessoais e significativas
Um dos itens distintivos de Kreitzman é o que ela chama de 'neck shrine', uma escultura personalizada para usar ao redor do pescoço. Ela criou centenas dessas peças, e recentemente, permitiu que um visitante confeccionasse a sua própria em seu ateliê no jardim. Para isso, ela ofereceu um colar de contas Masai, adquirido de forma ética. Kreitzman enfatiza que cada criação deve ter um significado pessoal.
Embora não goste de vender suas obras, ela prefere trocá-las com amigos, e suas criações estão frequentemente misturadas a presentes de outras pessoas. Para ela, cada peça tem um propósito e significado, proporcionando uma sensação de segurança. Kreitzman afirma que as cabeças egípcias em sua casa 'falam' com ela, dependendo de seu estado de espírito.
No quintal, encontra-se o 'Museum Shed', onde Kreitzman compartilha sua ideia de 'goddess phones', telefones antigos que, segundo ela, conectam as pessoas a algo místico.
Com o passar da tarde, mais artistas e amigos foram chegando à casa. Entre eles, Elizabeth Joseph, conhecida por criar móveis em miniatura, e Anne-Sophie Cochevelou, uma das mentoradas de Kreitzman, que expressou como a artista a ajudou a acreditar em si mesma.
Kreitzman reflete sobre sua jornada artística, lembrando que sempre foi desencorajada a se considerar uma artista. Agora, aos 85 anos, ela se diverte ao afirmar que não cresceu, no sentido de deixar de lado sua paixão pelas cores e pela criatividade.
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