Um novo estudo realizado pelo engAGE Centre for Research on Aging da Concordia University e pelo Gilbrae Centre for Studies in Aging da McMaster University aponta que a água tem um papel mais complexo e profundo na vida de mulheres idosas do que se pensava anteriormente. As atividades aquáticas, como natação, remo e hidroginástica, são frequentemente promovidas por seus benefícios físicos, mas a pesquisa revela que elas também influenciam a identidade, a conexão social e o sentido de pertencimento.
Estudo analisa relação de mulheres com atividades aquáticas
A pesquisa se baseou em uma revisão de aproximadamente 1.500 artigos para entender melhor a relação das mulheres com a água ao longo da vida. O estudo focou em 36 pesquisas revisadas por pares que exploraram as experiências de mulheres mais velhas em atividades de lazer relacionadas à água, incluindo natação, caiaque, vela, surfe e fitness aquático.
Temas principais identificados no estudo
Os pesquisadores identificaram quatro temas principais que emergiram da análise. Primeiramente, a água promoveu o bem-estar físico e mental ao reduzir dores, melhorar a mobilidade e ajudar na gestão do estresse e da tristeza. Em segundo lugar, o engajamento com a água contribuiu para a construção da confiança, aprendizado de novas habilidades e desenvolvimento de identidades como nadadoras, surfistas ou remadoras.
Além disso, muitas participantes relataram laços emocionais fortes com lagos, rios e oceanos, associando esses ambientes a memórias, espiritualidade e um senso de pertencimento. Por último, as atividades aquáticas facilitaram a formação de amizades, apoio mútuo e construção de comunidade.
Desafios e barreiras para a participação
Os pesquisadores também destacaram que a participação em atividades aquáticas é influenciada por barreiras práticas e sociais, como custos, transporte, preocupações com a condição física e expectativas culturais, além de problemas ambientais como a poluição. Entretanto, a disponibilidade de instalações acessíveis, grupos de apoio e programas exclusivos para mulheres muitas vezes ajudaram a superar esses desafios.
Recomendações para a pesquisa em gerontologia
Os pesquisadores sugerem a necessidade de uma “virada hidrológica” na gerontologia, argumentando que os estudos sobre envelhecimento devem considerar a água como mais do que um simples pano de fundo para exercícios ou terapias. Baseando-se no conceito de hidro-feminismo, eles ressaltam a conexão profunda que a água estabelece com os corpos, relacionamentos e ambientes das pessoas.
Compreender essas conexões, segundo os autores, poderia levar a pesquisas, políticas e espaços recreativos mais inclusivos que reconheçam a importância social, cultural e emocional da água na vida das mulheres idosas.
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