O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, manifestou preocupação quanto à possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas sobre calçados brasileiros. Em suas declarações, Ferreira destacou que essa medida "vai prejudicar os negócios das companhias norte-americanas importadoras".
A Abicalçados participou recentemente de uma audiência pública nos EUA, onde se discutiu a imposição de novas tarifas sobre produtos importados do Brasil. A decisão a respeito dessas tarifas deve ser anunciada na quarta-feira, 15 de julho de 2026. Ferreira se mostrou otimista quanto ao resultado.
O executivo ressaltou que o Brasil possui experiência na produção de pequenos lotes de calçados, especialmente de couro, e que os importadores norte-americanos costumam desenvolver coleções no país, testando-as no mercado local antes de decidir por produções em maior escala na Ásia. Esse foi um dos argumentos apresentados pela Abicalçados na audiência pública.
Entretanto, Ferreira alertou que a aplicação de novas tarifas teria um impacto direto na produção de calçados no Brasil, afetando a manutenção e a possível geração de postos de trabalho, podendo levar ao fechamento de algumas indústrias. Ele observou que cerca de 20% das exportações do setor são destinadas aos EUA.
O presidente-executivo comentou sobre os efeitos do tarifaço de 2025, que resultou em um aumento de impostos que foi parcialmente absorvido tanto pela indústria brasileira quanto pelos importadores norte-americanos. "A indústria exportou a um preço menor e o importador norte-americano absorveu um pouco desse imposto", afirmou.
Ferreira advertiu que, caso haja um novo tarifaço, a indústria perderá capacidade de oferecer descontos para mitigar o impacto do imposto, o que dificultará a manutenção da clientela norte-americana. Ele também mencionou que, devido ao tarifaço anterior, o setor não registrou crescimento em 2025, mas sim uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior. Apesar disso, a associação se mostra otimista para o segundo semestre de 2026, caso novas tarifas não sejam implementadas.
Possíveis tarifas e suas justificativas
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) apresentou propostas de taxação nos dias 1º e 2 de junho de 2026. As tarifas sugeridas incluem 25% por práticas desleais de comércio e 12,5% por falta de restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado análogo à escravidão.
Desafios do setor e endividamento
Ferreira também apontou o endividamento das famílias brasileiras como um fator que limita o consumo no mercado interno. Ele destacou que, apesar do calçado ser um bem essencial, a alimentação é priorizada, o que reduz a capacidade de compra dos consumidores.
O endividamento das famílias brasileiras alcançou 81,6% em maio, o maior nível desde 2015, conforme dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgados pela CNC (Confederação Nacional do Comércio).
Além disso, Ferreira mencionou a concorrência desleal trazida por plataformas internacionais e a necessidade de uma equidade tributária para que as indústrias brasileiras possam competir de forma justa.
Por fim, o executivo destacou a discussão sobre o fim da escala 6 X 1 no Congresso Nacional, que pode impactar ainda mais o setor.
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