Em uma carta pública endereçada a autoridades dos governos do Brasil e dos Estados Unidos, associações que representam empresários dos dois países pediram a ampliação do comércio bilateral em setores como data centers, automóveis e minerais críticos. O documento foi enviado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce, em um contexto de negociações sobre um eventual acordo relacionado ao tarifaço sobre produtos brasileiros no mercado americano.

As negociações ocorrem enquanto o Brasil enfrenta a proposta de um tarifaço que pode impactar cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, totalizando cerca de US$ 15 bilhões em exportações. O prazo para a definição do acordo é 15 de julho.

Propostas das associações empresariais

Na carta, os empresários defendem a ampliação do acesso a mercados, especialmente nas áreas de segurança energética e data centers, além de sugerirem o aprofundamento da cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico. Outras propostas incluem o apoio a uma moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre transmissões eletrônicas, a aceleração do exame de patentes e a colaboração em minerais críticos.

Um trecho do documento afirma: “Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros.” As entidades ressaltam que a negociação é preferível à imposição de tarifas, pois tende a gerar resultados mais sustentáveis e evita efeitos adversos para empresas, trabalhadores e consumidores.

Reações do governo e cenário atual

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil respondeu à carta, agradecendo as sugestões do setor privado e reiterando o compromisso com as negociações e o diálogo com autoridades norte-americanas, que já se estende por um ano.

O governo brasileiro busca convencer o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a reavaliar a proposta de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Reuniões entre equipes brasileiras e americanas estão previstas antes da data limite de 15 de julho.

Recentemente, o USTR iniciou uma fase de audiências públicas da investigação, que inclui representantes de diversos setores, como café, arroz, açúcar e etanol de milho. Abrão Neto, presidente da AmCham, alertou que a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias e poderia impactar negativamente o setor produtivo e os consumidores nos EUA.

Além disso, a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, o menor nível já registrado, enquanto as importações brasileiras dos EUA também recuaram 11% nesse período. Esse cenário sugere que tarifas adicionais poderiam reduzir ainda mais a presença comercial dos EUA no Brasil, favorecendo concorrentes estrangeiros.

O governo brasileiro mapeou 43 empresas e associações americanas que se opõem ao tarifaço, argumentando que não há substitutos no mercado interno para os produtos afetados e que a aplicação de tarifas aumentaria os custos para consumidores e indústrias nos Estados Unidos.