A adoção acelerada do etanol na gasolina pela Índia, que agora oferece apenas combustível com 20% de etanol, gerou descontentamento entre motoristas e levantou questões sobre a política do governo de Narendra Modi. A mudança, implementada como parte da Política Nacional de Biocombustíveis, antecipou a meta de 2030 para 2025, tornando a gasolina E20 obrigatória em postos de combustíveis desde o ano passado.

Krishna Kumar, um funcionário bancário de Nova Délhi, relatou que, após abastecer com a nova gasolina, notou mudanças significativas no desempenho de seu sedan. A eficiência de combustível caiu de 18-20 km/l para 16-17 km/l, representando uma redução de mais de 10%. Ele comentou: "A aceleração é mais lenta, especialmente ao ultrapassar ou subir morros".

Controvérsias sobre a política de etanol

A rápida transição para a gasolina E20 gerou críticas e preocupações entre motoristas e especialistas. Em junho de 2026, o advogado-geral do governo declarou ao Supremo Tribunal que a administração Modi estava "experimentando" com a mistura de etanol, gerando indignação nacional. Apesar de o governo ter afirmado que houve um mal-entendido, a declaração levantou questionamentos sobre a eficácia da política.

O governo defende que a mistura de 20% de etanol reduzirá a dependência do petróleo importado, fortalecerá a segurança energética e criará novas oportunidades para agricultores. No entanto, críticos apontam que a eficiência dos veículos caiu e que a nova gasolina pode danificar componentes dos automóveis. O ministro de Transporte Rodoviário e Estradas, Nitin Gadkari, reconheceu a queda na quilometragem, enquanto partidos de oposição questionam um possível conflito de interesses devido aos laços familiares de Gadkari com empresas de produção de etanol.

Impactos na indústria automobilística

Especialistas automotivos, como Sajad Ahmad Wani, afirmam que os efeitos da utilização de E20 variam de acordo com a idade e o design do veículo. Embora veículos não compatíveis com E20 não apresentem problemas imediatos, o uso contínuo pode acelerar o desgaste de componentes se não forem projetados para misturas de etanol mais altas. Wani destacou que muitos motoristas ainda não sabem se seus veículos são compatíveis com E20.

Bilal Ahmad, mecânico, também notou um aumento no número de clientes relatando redução na eficiência de combustível e desempenho do motor. "Há uma conexão aparente entre o novo combustível e os problemas que alguns proprietários de veículos a gasolina estão enfrentando", afirmou.

O Ministério de Petróleo e Gás Natural da Índia negou as alegações de que a gasolina E20 prejudica os motores ou diminui significativamente a eficiência. O ministério citou estudos que não encontraram diferenças significativas no desempenho dos motores, mesmo em veículos mais antigos. O ministro Gadkari defendeu a política de etanol, afirmando que a iniciativa beneficia não apenas o setor de transporte, mas também aumenta a renda dos agricultores.

A controvérsia em torno da gasolina E20 destaca a necessidade de uma comunicação mais clara entre o governo, os fabricantes de automóveis e os proprietários de veículos, enquanto a Índia avança em sua transição para combustíveis mais limpos.