A Indonésia, a maior economia do Sudeste Asiático, está enfrentando uma significativa fuga de investidores, impulsionada por uma combinação de aumento nos custos de energia e promessas de gastos do governo que levantam preocupações sobre a sustentabilidade fiscal. Desde o início da pandemia, o país registrou um crescimento anual constante de 5%, mas a recente situação geopolítica, especialmente o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, impactou severamente suas finanças.

Impacto do fechamento do Estreito de Ormuz

Apesar de possuir reservas de petróleo, a Indonésia ainda depende fortemente de combustíveis importados, o que levou o governo a enfrentar um aumento repentino nos custos de subsídios de combustíveis. Com um orçamento inicial de cerca de 22 bilhões de dólares (aproximadamente 19,2 bilhões de euros), as autoridades agora estimam que serão necessários pelo menos 6 bilhões de dólares adicionais para manter os preços estáveis. Em consequência, a moeda local, o rupiah, desvalorizou-se em 8%, atingindo recordes próximos a 18.000 por dólar, enquanto a bolsa de valores de Jacarta, que estava prestes a alcançar um recorde de 9.000 pontos, caiu um terço, tornando-se a pior do ano.

Promessas de gastos e preocupações com a dívida

O presidente populista Prabowo Subianto, que prometeu elevar o crescimento econômico para 8% durante sua campanha eleitoral de 2024, lançou um novo fundo soberano que gerencia ativos de aproximadamente 900 bilhões de dólares. Embora tenha recebido apoio político e público, analistas e investidores expressam preocupação com a viabilidade dessas promessas. O economista Rizal Shidiq, da Universidade de Leiden, considera as políticas de Prabowo "excessivamente ambiciosas" e "ineficientes", alertando que os planos de gastos parecem insustentáveis, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz.

A relação dívida/PIB da Indonésia é de 40,75%, o que é inferior a muitos outros países em desenvolvimento, mas o custo de manutenção dessa dívida é alarmante. Relatórios indicam que quase um quarto da arrecadação fiscal de 2026 será destinado a pagamentos de juros, superando em mais de duas vezes a proporção recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, a Indonésia enfrenta pressão significativa para refinanciar 834 trilhões de rupias (cerca de 46,1 bilhões de dólares) de sua dívida governamental que vence neste ano.

Possíveis rebaixamentos de classificação e seus impactos

A preocupação com a credibilidade do governo já foi reconhecida por agências de classificação de risco, que cortaram a perspectiva da Indonésia para negativa. A MSCI, responsável pelo índice de referência que investidores usam para acompanhar ações domésticas, alertou que a Indonésia pode ser rebaixada de emergente para economia de fronteira, devido à falta de transparência em algumas empresas listadas. A S&P Global Ratings também indicou que pode seguir o mesmo caminho, citando problemas de transparência.

Um rebaixamento poderia ser devastador para a Indonésia, afastando investidores em busca de mercados emergentes, justo quando o país precisa captar mais capital para fomentar seu crescimento. A pressão para que Prabowo contenha seus planos de gastos está aumentando, e analistas temem que a falta de medidas adequadas possa levar a uma deterioração rápida da confiança do investidor, lembrando os desafios enfrentados durante a crise financeira asiática de 1998.