Infestação de baratas, móveis danificados, janelas quebradas e gordura espalhada. Esse foi o quadro encontrado pela jornalista Paula Estivalet ao retomar um apartamento alugado em Porto Alegre. A situação, que se agrava com notificações do condomínio por risco à saúde pública, evidencia os riscos envolvidos na locação de imóveis.

Mesmo com a intermediação de uma imobiliária e a contratação de um seguro-fiança, Paula não deve receber o ressarcimento integral dos danos, e o caso pode ser levado à Justiça. A experiência dela serve como um alerta para proprietários e inquilinos sobre a importância de atenção aos detalhes em contratos de aluguel.

Imóvel entregue em boas condições

De acordo com Paula, o apartamento foi alugado para fins residenciais, mas teria sido utilizado para a produção e venda de alimentos, contrariando o que estava estipulado no contrato. Ao receber as chaves, a proprietária se deparou com móveis inutilizados, sujeira acumulada e equipamentos que precisaram ser descartados.

Após a saída dos inquilinos, a imobiliária acionou o seguro-fiança, mas a cobertura foi considerada insuficiente. “A seguradora disse que vai fazer quatro coisas de uma lista com 31 reparos”, relatou Paula, que se vê em uma situação complicada, sem a segurança que esperava ao alugar seu imóvel.

Prejuízos também afetam inquilinos

Além dos proprietários, inquilinos também enfrentam problemas em contratos de aluguel. O técnico em edificações Luís Eduardo Luciow compartilha sua experiência ao alugar um apartamento com infiltrações que nunca foram resolvidas. “Perdemos a mesa, o guarda-roupa, a cama”, contou, ressaltando que, mesmo após tentativas de contato com a imobiliária, não obteve respostas satisfatórias.

Na saída do imóvel, Luís enfrentou cobranças inesperadas, incluindo taxas para pintura de áreas externas que não estavam previstas em contrato. Esses casos ilustram a necessidade de atenção redobrada ao assinar contratos de locação.

Como evitar conflitos em contratos de aluguel

As experiências de Paula e Luís Eduardo ressaltam a importância de uma análise cuidadosa dos contratos. Especialistas afirmam que a assinatura do documento é um momento crucial na locação. “O ideal é que tudo esteja estipulado em contrato. O que fica apenas combinado verbalmente dificilmente será comprovado depois”, alerta o advogado imobiliário Elias Rodrigues.

A vistoria do imóvel, tanto na entrada quanto na saída, é um documento fundamental que registra as condições da unidade e serve como base para comparar possíveis danos. Entre os cuidados recomendados estão: ler todas as cláusulas com atenção antes da assinatura, garantir que acordos verbais estejam formalizados por escrito, conferir a cobertura de garantias como o seguro-fiança e exigir uma vistoria detalhada.

Segundo especialistas, a vistoria também ajuda a diferenciar danos causados pelo uso e desgaste natural ao longo do tempo, evitando cobranças indevidas.