Na noite de sábado, um ataque durante o Berlin Pride resultou na morte de uma mulher polonesa e deixou pelo menos 29 pessoas feridas. O principal suspeito, Abdul Ballout, um cidadão alemão de 21 anos com ascendência libanesa, foi morto pela polícia no dia seguinte ao ataque.

O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, afirmou que Ballout já havia sido identificado anteriormente devido a um histórico criminal extenso, radicalização e conexão com o cenário islamista. O caso gerou indignação e questionamentos sobre a razão pela qual ele estava em liberdade.

Histórico criminal de Abdul Ballout

Segundo informações dos promotores, em 2025, Ballout tentou se juntar ao grupo armado do Estado Islâmico na Síria, viajando via Turquia até o Líbano, onde se encontrou com pessoas que acreditava serem membros do grupo. Ele foi preso no Líbano em julho de 2025 e condenado a três meses de prisão por incitação ao conflito religioso e sectário.

Após ser deportado para a Alemanha em novembro de 2025, Ballout foi detido no aeroporto de Berlim e, em maio deste ano, um tribunal berlinense o condenou a uma pena juvenil de um ano e dez meses por "preparar um ato de violência grave que ameaça o estado". No entanto, a pena foi suspensa enquanto os promotores apelavam por uma sentença mais longa.

Reações e críticas ao sistema judiciário

O ministro Dobrindt expressou que a decisão de conceder uma pena suspensa era "certamente incompreensível", dada a gravidade do caso. O prefeito de Berlim, Kai Wegner, manifestou sua perplexidade sobre a forma como o judiciário tratou o caso de Ballout, enfatizando que, apesar de respeitar a independência do judiciário, estava sem palavras diante do ocorrido.

A oposição, representada pelo partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), descreveu o ataque como um fracasso total da política de segurança, questionando como uma ameaça conhecida pôde agir livremente. O porta-voz de assuntos internos do AfD, Martin Hess, destacou a necessidade de uma investigação rigorosa sobre a liberdade de movimento de Ballout.

Especialistas em extremismo, como Thomas Mücke, apontaram que Ballout parecia ter uma postura controlada e amigável em interações com assistentes sociais, o que levanta preocupações sobre a eficácia das avaliações de risco. Além disso, Peter Neumann, da King's College London, argumentou que as leis de combate ao terrorismo na Alemanha são "muito brandas" em comparação a outros países europeus, sugerindo uma revisão do sistema de justiça juvenil que prioriza a educação em detrimento da proteção pública.

O porta-voz de assuntos internos dos social-democratas (SPD), Sebastian Fiedler, indicou que o problema reside mais na aplicação da lei do que na legislação em si, enfatizando a necessidade de compreender como Ballout permaneceu em liberdade e quem ele poderia ainda estar contatando.

O chanceler Friedrich Merz comentou que ainda é cedo para determinar as consequências políticas do ataque, mas prometeu uma resposta cuidadosa e determinada, sugerindo que se indivíduos classificados como ameaças não puderem ser detidos, suas liberdades de movimento devem ser limitadas.