Recentemente, vídeos nas redes sociais levantaram a hipótese de que o atraso no ciclo menstrual de muitas mulheres ao redor do mundo estaria relacionado a fenômenos como a ressonância de Schumann e o acelerador de partículas LHC, do CERN. Especialistas, no entanto, afirmam que essas explicações não têm fundamento.
Fatores hormonais e emocionais explicam os atrasos
De acordo com o ginecologista Marcelo Steiner, o ciclo menstrual é influenciado por diversos fatores, sendo os principais: estresse, alterações na tireoide, déficit energético, síndrome do ovário policístico, sobrepeso e má alimentação. Esses fatores podem causar irregularidades menstruais e ajudam a entender por que tantas mulheres relatam atrasos simultaneamente.
“O ciclo pode ter muitas variáveis, então as pessoas jogam esse tipo de coisa sobre o ciclo porque é fácil ter mulheres com algum atraso. Isso gera um efeito de reconhecimento coletivo”, explica Steiner. Ele enfatiza que não existe evidência de que fenômenos atmosféricos ou experimentos científicos possam afetar o ciclo menstrual.
Desmistificando a ressonância de Schumann e o LHC
A ressonância de Schumann, um fenômeno real que ocorre na ionosfera, é frequentemente mal interpretada. O professor Emerson Bezerra Conceição Junior, da USP, explica que, embora a ressonância exista, ela é uma onda de baixa frequência que não possui energia suficiente para afetar o corpo humano. Segundo ele, se a ressonância tivesse esse efeito, ondas de rádio e micro-ondas, que estão presentes no ambiente, também causariam alterações, o que não acontece.
Sobre o LHC, que é o maior acelerador de partículas do mundo, a física Gabriela Bailas, que já atuou no CERN, esclarece que os experimentos realizados nesse equipamento não alteram a percepção do tempo fora dele. O LHC não opera continuamente e passou por uma pausa para manutenção, iniciada em junho de 2026, com previsão de retorno em 2030. A ideia de que a desativação do LHC poderia influenciar o ciclo menstrual é considerada infundada.
Essas explicações errôneas nas redes sociais podem gerar confusão e desinformação. Portanto, é fundamental buscar informações precisas e consultar profissionais de saúde ao notar alterações no ciclo menstrual.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.