Mais de 850 mil bicicletas elétricas e outros veículos elétricos leves estão em circulação no Brasil, um crescimento impulsionado pela busca por meios de transporte mais ágeis nas grandes cidades. No entanto, essa expansão tem sido acompanhada por um aumento significativo nos acidentes e conflitos entre ciclistas, pedestres e motoristas.

Imagens veiculadas pela reportagem do Fantástico revelam a realidade nas ruas, onde atropelamentos e colisões se tornaram comuns. "Eu ando sempre vigiando. Mas é assim mesmo, né? Todas as cidades têm essas bicicletas", comentou um pedestre sobre a situação nas ciclovias.

A praticidade das bicicletas elétricas é um dos fatores que tem motivado sua adoção. Em São Paulo, onde congestionamentos podem ultrapassar mil quilômetros, muitos trabalhadores optaram por esse meio de transporte. Um ciclista relatou que, ao alugar uma bicicleta elétrica, consegue economizar cerca de 10 minutos no trajeto diário.

Desafios e imprudências nas ciclovias

Contudo, essa facilidade trouxe novos desafios. Na Avenida Faria Lima, um dos principais corredores de ciclovias da capital paulista, a reportagem encontrou um verdadeiro "engarrafamento" de bicicletas elétricas. Um entregador expressou sua insatisfação: "Está insuportável, não dá para rodar. Tem muita bicicleta elétrica, patinete e bicicleta normal. A gente tem que estar sempre atento."

Durante a cobertura, foram observadas várias infrações, como ciclistas atravessando cruzamentos com o sinal vermelho e circulando na contramão. Apesar de as bicicletas elétricas serem projetadas para não ultrapassar 32 km/h, especialistas alertam que muitos modelos são adulterados para atingir velocidades superiores.

A pedido do Fantástico, peritos mediram a velocidade dos veículos na ciclovia da Faria Lima, constatando que algumas bicicletas estavam em circulação a 34 e até 35 km/h. Segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), veículos que excedem 32 km/h não são mais considerados bicicletas elétricas e são classificados como ciclomotores, os quais não são permitidos em ciclovias e ciclofaixas.

Regulamentação e limites de velocidade

Os especialistas também destacam a gravidade dos acidentes causados por velocidades elevadas. Um perito afirmou que um atropelamento a 32 km/h gera um impacto similar ao de uma queda de uma altura entre quatro metros e meio e cinco metros.

A discussão sobre limites de velocidade para bicicletas elétricas já chegou ao poder público. A Prefeitura de São Paulo encerrou recentemente uma consulta pública para regulamentar a circulação desses veículos. Entre as propostas está a redução da velocidade máxima para 20 km/h em qualquer via da cidade.

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico defende uma regulamentação adequada, levando em conta as características de cada tipo de infraestrutura. A entidade sugere limites de até 25 km/h em algumas ciclovias e a redução para 20 km/h em pistas de mão dupla, além de ressaltar que a maioria dos equipamentos que excedem 32 km/h só circula em ciclovias após adulteração, o que demanda fiscalização rigorosa.