Sob pressão do tarifaço dos Estados Unidos, o governo brasileiro negocia hoje, “em estágio avançado” , acordos de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos e o Canadá, além de sinalizar progressos recentes com Japão, Coreia do Sul e outros países asiáticos. A informação foi dada pelo embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, durante a cerimônia de sanção do programa Brasil Soberano 3, realizada nesta 4ª feira (22.jul.2026), em Brasília. Os acordos fazem parte da estratégia do governo para diversificar os destinos das exportações brasileiras.
Na mesma cerimônia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a diversificação dos mercados já está em curso. Citando dados da ApexBrasil, afirmou que 73% das cerca de 2.400 empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos passaram a acessar outros mercados desde o ano passado. Segundo o ministro, as empresas ampliaram seus destinos de exportação sem necessariamente reduzir as vendas ao mercado norte-americano.
Como exemplo, ele mencionou o setor de máquinas e equipamentos, com avanços na aproximação comercial com Cingapura, para onde parte da produção antes destinada aos EUA passou a ser exportada. Segundo Elias Rosa, o Brasil registrou neste ano crescimento de mais de 40% nas exportações para 54 destinos ou mercados diferentes, e mantém recorde na balança comercial desde 2023. O governo concentra esforços para concluir negociações já abertas e iniciar novas frentes comerciais.
acordos do Mercosul Segundo Maurício Lyrio, os primeiros acordos do Mercosul fora da América do Sul foram firmados com Egito, Israel e Palestina, negociados nos 2 primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tratado com a Palestina, assinado em 2011, foi o último do bloco por mais de uma década. O hiato terminou em dezembro de 2023, com o acordo de livre comércio entre Mercosul e Cingapura, o primeiro do bloco com um país asiático.
Depois disso, o Mercosul concluiu as negociações com a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio), formada por Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia, em setembro de 2025. Também assinou o acordo com a União Europeia, concluído nas negociações em dezembro de 2024, formalizado em 17 de janeiro de 2026 e em vigor desde 1º de maio. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), as exportações brasileiras para a UE cresceram US$ 2 bilhões nos 60 dias seguintes à entrada em vigor do tratado.
A seguir, o estágio das principais tratativas: Emirados Árabes As negociações começaram em julho de 2024. Lula disse, em dezembro daquele ano, que esperava concluir o acordo em 2025, mas o cronograma não foi cumprido. Em fevereiro de 2026, durante visita a Abu Dhabi , Lula voltou a tratar do tema com o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
Em abril, o ministro Elias Rosa disse que as negociações haviam perdido ritmo. Em junho, o governo voltou a classificar a negociação como em “estágio avançado” , com conclusão possível “em breve” . O principal impasse é o pedido dos Emirados para zerar as tarifas do Mercosul sobre cerca de 20 produtos petroquímicos.
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