O Brasil se aproxima da eleição de 2026 em um ambiente repleto de incertezas, especialmente após a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida, programada para entrar em vigor no dia 22 de julho, coloca o Brasil como o segundo país mais taxado pelos EUA, apenas atrás da China. Para Ruchir Sharma, analista econômico e chairman da Rockefeller International, essa dinâmica pode impactar significativamente o cenário eleitoral e econômico do país.
Impactos da Tarifa e Cenário Eleitoral
Em entrevista à BBC News Brasil, Sharma explicou que, embora o valor das exportações brasileiras afetadas pela tarifa seja estimado em cerca de US$ 14,9 bilhões, o impacto direto pode ser mais limitado do que aparenta. As isenções previstas pela Seção 232 e outras regulamentações tornam o efeito efetivo da tarifa mais estreito. Contudo, o analista aponta que o risco maior reside nas consequências sobre o investimento estrangeiro e na relação entre Brasil e Estados Unidos, que está sob tensão.
Sharma também destacou que a narrativa de nacionalismo e soberania do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia ser um trunfo nas eleições, semelhante ao que ocorreu no México. No entanto, sua popularidade está sendo pressionada por fatores como o aumento do custo de vida e o crescimento econômico abaixo das expectativas. O governo Lula já sinalizou que não busca negociações antes da eleição, enquanto uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia levar a concessões rápidas em áreas como regulação digital, o que traria seus próprios custos políticos.
A Eleição de 2026 e o Contexto Global
Sharma, que considera a eleição de 2026 uma das mais importantes do mundo, observa que investidores têm demonstrado crescente interesse pela América Latina, impulsionados pela ascensão de governos de direita na região. A pesquisa realizada por sua equipe mostra que, historicamente, os investidores obtêm retornos significativamente melhores sob administrações de direita em comparação às de esquerda, com retornos médios de 37% nos primeiros dois anos de governo de direita, contra 16% sob governos de esquerda.
Entretanto, mesmo com um governo de direita, há incertezas sobre o compromisso fiscal. Sharma acredita que, independentemente do vencedor, a pressão para negociar com Washington será um desafio constante. Caso Lula seja reeleito, a reação inicial dos investidores poderá ser negativa, mas ele precisará adotar uma postura fiscal responsável para evitar a fuga de capitais.
O analista também destacou que o Brasil possui recursos valiosos, como terras raras e uma infraestrutura energética robusta, que podem ser aproveitados em um cenário de recuperação econômica global. O país investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, o que é considerado razoável para uma nação de sua renda média, e concentra uma parte significativa do investimento tecnológico na América Latina.
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