A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre uma variedade de produtos brasileiros foi amplamente noticiada pela imprensa internacional. O anúncio ocorreu na quarta-feira, 15 de julho, após a conclusão de uma investigação do Escritório do Representante Comercial americano (USTR) sobre práticas comerciais.
A medida, que foi aprovada pelo presidente Donald Trump, entrará em vigor em 22 de julho. O jornal britânico Financial Times destacou que as tarifas foram implementadas em um contexto de "crescendo de ruptura nas relações bilaterais" e antes das próximas eleições no Brasil.
Justificativas e reações
De acordo com o USTR, as tarifas foram justificadas por práticas comerciais desleais em áreas como pagamentos eletrônicos, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e proteção ambiental. Uma fonte do governo americano declarou ao Financial Times que houve tentativas de negociação com o Brasil por mais de um ano.
O FT também mencionou que, enquanto o governo brasileiro considera as queixas dos EUA como motivadas politicamente, o governo Trump busca reafirmar sua influência na América Latina. A decisão é vista por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma potencial interferência nas eleições de outubro.
Impactos nas relações comerciais
O jornal The New York Times apontou que a nova tarifa pode se transformar em um tópico político no Brasil, especialmente em um cenário eleitoral. A reportagem destacou que Lula acusou Flávio Bolsonaro, pré-candidato e senador, de ter defendido a imposição das tarifas durante encontros na Casa Branca. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, negou as acusações e afirmou ter pedido a Washington que suspendesse as tarifas.
A CNN Internacional detalhou que a tarifa será imposta com base na seção 301 da Lei de Comércio de 1974, e que várias mercadorias não produzidas nos EUA, como café e carne bovina, estarão isentas. Após o anúncio, o governo brasileiro criticou a medida, afirmando que 15 de julho será lembrado como um dia lamentável nas relações entre os dois países.
A agência Bloomberg alertou sobre os riscos elevados para ambos os países, dado que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o Brasil importou mais de US$ 45 bilhões em produtos americanos, enquanto as exportações caíram quase 7%. Apesar das tensões, ambos os governos ainda buscam evitar um conflito comercial mais amplo, com reuniões entre representantes dos dois países em busca de uma solução.
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