Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012 Os registros policiais de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram 67,3% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23). Foram 5.226 ocorrências somando as duas práticas envolvendo vítimas de 0 a 17 anos no ano passado, ante 3.161 em 2024. Foi o maior crescimento entre todos os indicadores de violência contra crianças e adolescentes analisados pela publicação.
Os dois crimes passaram a existir formalmente no Código Penal em 2024, com a Lei nº 14.811/2024, que tipificou a "intimidação sistemática" (bullying) e a "intimidação sistemática virtual" (cyberbullying). Vítima de bullying Jesús Rodríguez / Unsplash Apesar do crescimento nos registros policiais, o Anuário destaca que eles captam apenas uma fração do problema. Segundo Cauê Martins, sociólogo e pesquisador no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, parte do salto reflete a assimilação da nova lei pelos sistemas de registro e pela sociedade, e não somente um aumento da violência.
Segundo o pesquisador, os boletins de ocorrência tendem a refletir apenas os casos mais graves ou persistentes, que extrapolam a capacidade de resposta das escolas. Martins compara os números policiais com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, mostram que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying na escola — um universo muito maior que as pouco mais de cinco mil ocorrências registradas pelas polícias em 2025. "A gente percebe como ainda é uma parcela mais restrita dos casos que chega à polícia.
A tendência é que nos próximos anos isso os registros de bullying e cyberbullying continuem a crescer por serem tipos penais novos, então tanto as próprias políticas estão se adaptando a esse novo registro, quanto a população brasileira, que ainda está entendendo o fenômeno", analisa Martins. LEIA MAIS Raio-X da adolescência brasileira: veja dados do IBGE sobre estudantes de 13 a 17 anos Satisfação de adolescentes brasileiros com o próprio corpo cai sucessivamente desde 2015, aponta IBGE Separados por tipo de intimidação, o crescimento também ficou acima de 60% nos dois casos: os registros de bullying subiram 68,2%, de 2.736 para 4.549 ocorrências, e os de cyberbullying avançaram 61,4%, de 425 para 677. Juntos, os crimes somaram uma taxa de 11,7 registros por 100 mil crianças e adolescentes em 2025, contra 7,0 no ano anterior.
Bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes, nos anos de 2024 e 2025 Lara Bernardino - Arte/g1 O avanço dos registros também varia entre os estados. São Paulo, por exemplo, mais que dobrou o número de casos de bullying entre crianças e adolescentes (de 599 para 1.396, alta de 135,9%) e de cyberbullying (de 69 para 145, alta de 112,7%). Estados que partiam de bases muito pequenas em 2024, como Maranhão e Mato Grosso do Sul, registraram os maiores saltos proporcionais — o que, segundo o Fórum, reforça a hipótese de que a expansão decorre, em parte, da consolidação dos novos sistemas de notificação.
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