A China tem demonstrado sua capacidade de realizar grandes projetos ao longo das últimas décadas, e um dos mais significativos é a Grande Muralha Verde. Desde 1978, o país plantou aproximadamente 66 bilhões de árvores com o objetivo de conter a desertificação nos desertos de Gobi e Taclamacã, que se expandem anualmente em áreas consideráveis.
O projeto visa impedir que a areia avance sobre as pradarias do norte da China, onde o deserto de Gobi se expandia a uma taxa superior a 2.600 quilômetros quadrados por ano. De acordo com o site de notícias científicas Live Science, a China planeja plantar outros 34 bilhões de árvores até 2050, transformando ainda mais a paisagem que já mudou significativamente desde o fim da década de 1970.
Efeitos positivos e crescimento florestal
A cobertura florestal nas regiões afetadas pelo projeto aumentou de 5% em 1978 para 14% em 2023, resultando em uma diminuição das tempestades de poeira e uma melhoria na qualidade do ar em grandes cidades, segundo a revista Nature.
Uma nova pesquisa publicada na revista Geophysical Research Letters revela que as florestas plantadas na China respondem ao aumento do CO₂ de maneira diferente das florestas naturais, apresentando um crescimento mais acelerado da cobertura de folhas. A equipe de pesquisa, liderada por Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, analisou dados de satélite e constatou que o índice de área foliar aumentou 66% mais rapidamente nas florestas plantadas em comparação com as naturais.
Fatores de crescimento e limitações
Embora a idade das plantações contribua para esse crescimento acelerado, pois elas estão em uma fase de desenvolvimento mais jovem, a pesquisa indica que mesmo em comparação com florestas naturais de idade e condições semelhantes, as áreas reflorestadas apresentam um crescimento 4,6% mais rápido.
Esse fenômeno também está relacionado ao manejo intensivo das plantações, que geralmente incluem espécies de crescimento rápido, como eucaliptos e álamos. Esse manejo favorece a absorção de luz, água e nutrientes, além de amplificar a resposta das árvores ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera.
No entanto, essa vantagem parece ter um limite, atingindo seu pico entre 30 e 40 anos. As florestas naturais, por outro lado, têm um crescimento mais lento, mas constante, o que as torna mais eficazes no armazenamento de carbono a longo prazo.
Luo destaca que muitos modelos climáticos não diferenciam adequadamente florestas plantadas e naturais, o que pode distorcer a avaliação da capacidade de captura de carbono de cada tipo de floresta. Ele afirma: "As florestas plantadas podem ser uma ferramenta muito eficaz de curto prazo para a captura de carbono, mas essa vantagem é temporária. Para o armazenamento de carbono e a resiliência de longo prazo, as florestas naturais continuam sendo insubstituíveis".
Embora existam críticas sobre a metodologia do estudo, a dimensão do projeto de reflorestamento da China permanece impressionante. Em 2020, as florestas plantadas cobriam 90,3 milhões de hectares, ou 36,6% da área florestal do país, segundo dados do IFLScience. Entre 2004 e 2017, as áreas arborizadas ao longo do deserto de Taclamacã capturaram cerca de 8,3 milhões de toneladas de CO₂ anualmente, funcionando como um sumidouro líquido de carbono nesse período.
Para Luo, a chave é plantar árvores de forma mais criteriosa, considerando quando e como administrar essas plantações, proporcionando diretrizes mais práticas para a ação climática baseada em florestas.
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