A escritora e ensaísta Cidinha da Silva chega a Goiânia para discutir uma questão que atravessa sua própria trajetória: até que ponto mulheres negras têm liberdade para escrever sobre aquilo que desejam sem serem constantemente convocadas a explicar o racismo, a violência e a própria identidade? A reflexão está no centro de “Quando Borboletas Furiosas se tornam Mulheres Negras: Nós e os Livros”, livro que reúne 16 ensaios sobre literatura, mercado editorial, racismo e os espaços ocupados por escritoras negras.

Mercado ainda não consolidou presença negra

A expansão da presença de escritoras negras nas editoras, livrarias e espaços de debate literário nos últimos anos não significa, na avaliação de Cidinha, que tenha ocorrido uma mudança estrutural no mercado editorial brasileiro.

‘As mudanças estruturais acontecem quando conseguimos enraizá-las nos tempos de longa duração’, afirma. Segundo ela, a presença numérica mais significativa de autoras negras no mercado ainda é recente e não possui raízes suficientemente profundas para garantir sua permanência.

‘Somos galhos frágeis no ecossistema, qualquer mudança mais significativa dos ventos pode nos soprar para longe’, diz.