Depressão pode estar ligada a casos de demência em idosos; entenda Já que a doença de Alzheimer foi tema das últimas colunas, achei importante fechar essa série tratando dos desafios de comunicação com alguém com demência. Esse é um processo desgastante, ao longo do qual cuidadores e familiares se encontram, muitas vezes, à beira da exaustão. Para quem lida com a situação cotidianamente, escrevi uma coluna cujo link pode ser acessado aqui.
No entanto, mesmo quem não convive diariamente com a pessoa tem como aperfeiçoar sua capacidade de aproximação. Pessoas com demência: revisitar memórias é a melhor maneira de iniciar uma conversa com alguém que está sofrendo um processo de declínio cognitivo Geralt para Pixabay É comum que o paciente alterne um estado de apatia e desinteresse com momentos ativos. Que repita perguntas, que esqueça fatos recentes, que confunda a identidade de pessoas próximas.
Levei uma tia querida à festa de aniversário de sua prima, que completava 90 anos, e ela perguntou diversas vezes se o bolo era para ela. Também queria saber de um outro primo, já falecido, e, embora tivesse sido avisada na ocasião sobre sua morte, surpreendeu-se com a notícia. Enganos à parte, divertiu-se bastante, o que mostra que demência não precisa ser sinônimo de isolamento.
Aqui estão algumas sugestões para esse exercício de paciência e empatia. Apresente-se: a melhor maneira de começar a falar com alguém com demência é se apresentando. Essa etapa pode não ser necessária se a enfermidade estiver em estágio inicial ou intermediário, mas, se houver qualquer dúvida se a pessoa irá reconhecê-lo, diga seu nome e explique como vocês se conhecem – por exemplo, a relação de parentesco.
E não se aborreça se depois seu nome for substituído por outro. Escolha o momento certo para a visita: pessoas com demência apresentam um quadro de perda de memória, mas ainda se beneficiam da consistência de uma rotina – ter um padrão previsível para o dia pode ser reconfortante. Para não afetar a agenda, verifique com os cuidadores o horário conveniente para uma visita.
Além disso, muitos pacientes com Alzheimer enfrentam o que é conhecido como sundowning, ou síndrome do pôr do sol, o que significa que eles podem ficar confusos ou agitados no final da tarde. Tenha um plano para as crianças: esperar que seus filhos, especialmente os pequenos, fiquem sentados durante a visita pode ser pedir demais. Indivíduos com demência frequentemente perdem o filtro, o que pode gerar situações constrangedoras perto de crianças.
Portanto, providencie algo para ocupar o tempo delas. Fale sobre o passado: revisitar memórias é o modo ideal de iniciar uma conversa com quem está sofrendo um processo de declínio cognitivo. Embora possam ter dificuldade para se recordar de eventos recentes, as pessoas costumam se lembrar do passado de forma bem mais viva.
Pode ser algo que vocês compartilharam, ou até usar um fato atual – uma onda de calor, por exemplo – como gancho para iniciar o papo. Não pressione: as perguntas devem ser formuladas de um jeito que o interlocutor não se sinta desconfortável. “Você se lembra?” talvez angustie o ente querido se ele não conseguir localizar aquela recordação.
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