RIOHACHA, Colômbia — Em meio às baixas encostas de uma floresta tropical, famílias da comunidade Wiwa de Gomke estão construindo um novo lar. Seu assentamento ancestral está localizado mais alto em uma montanha verdejante, sobre a costa do Caribe, em Dibulla.
A mudança para terras mais baixas, segundo representantes da comunidade, é descrita como voluntária: uma estratégia de adaptação coletiva para proteger a coesão social, educacional e espiritual diante das pressões climáticas intensificadas e presença de grupos paramilitares.
A nova localização, chamada Shegunamke, foi recentemente reconstruída. As severas eventos climáticos e o avanço da violência paramilitar tornaram o assentamento original cada vez mais isolado e perigoso. A comunidade respondeu criando um novo assentamento em um local mais seguro e acessível, visando preservar suas estruturas sociais e espirituais.
A comunidade Wiwa também adquiriu outras parcelas de terra em diferentes áreas da Sierra Nevada de Santa Marta, incluindo altitudes mais elevadas. 'Deixamos essas áreas intactas para garantir que rios, nascentes e corpos d'água permaneçam vivos', afirmou Roberto Carlos Coronado Calvo, reitor de Shenzhawimaku, a instituição educacional wiwa que combina aprendizado convencional com a língua, cultura, conhecimentos e relação com o território da comunidade.
'Se começarmos a cortar e desmatar o páramo [ecossistema], como podemos garantir a vida para aqueles que vivem abaixo?', questionou Coronado Calvo.
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