LAGO DO PURUZINHO/TERRITÓRIO INDÍGENA KARIPUNA/CALAMA, Brasil — A comunidade de Lago do Puruzinho, localizada em uma lagoa rica em peixes no Amazonas, parece um paraíso à primeira vista. Situada a apenas 20 quilômetros da cidade de Humaitá, o som da natureza é composto por vozes de pássaros como o oropendola e o rugido dos motores de embarcações navegando pelo Rio Madeira.
Por décadas, os cerca de 170 habitantes desta comunidade ribeirinha consumiam peixes da lagoa, mas isso mudou quando aprenderam sobre o mercúrio e descobriram que grandes quantidades deste metal pesado são descartadas no Rio Madeira por mineração ilegal. O rio, que alimenta a Lagoa Puruzinho e é um afluentes do Amazonas, recebe entre 10 e 50 toneladas métricas de mercúrio por ano provenientes das escavações usadas na mineração de ouro.
"Havia muito mercúrio em nossos cabelos, devido ao tucunaré que comemos muito," conta Maria Rogelina Soares da Silva dos Santos, uma pescadora e dona de casa, à porta de sua residência situada às margens da Lagoa Puruzinho. "Foi um grande susto."
A pesquisa realizada pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em que ela participa há 26 anos, revelou a presença de mercúrio nas espécies de peixe e, consequentemente, na saúde humana, focando em mulheres grávidas, mães que amamentam e crianças em comunidades ao longo do Rio Madeira.
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