Vítima sexual de Jeffrey Epstein conta o que passou com financista BBC Na semana seguinte à morte do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, "Anya" (nome fictício) abriu a porta de seu apartamento em Nova York. Do lado de fora estava Mark Epstein, irmão de Jeffrey, dizendo que ela precisava deixar o imóvel, conta. Anya viveu por anos em um dos vários apartamentos na East 66th Street, em Manhattan, usados por Jeffrey Epstein para abrigar mulheres que ele abusava.
Em um instante, ela perdeu sua moradia — mas também escapou de um pesadelo. (Mark Epstein nega ter conhecimento dos crimes cometidos pelo irmão.) "Ainda estou tentando processar o fato de que sofri abusos durante anos", diz Anya. "Não estava acorrentada a uma porta, nem trancada em um porão.
As correntes eram menos visíveis, mas existiam." Segundo Anya, Epstein — que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores — costumava dizer que sua operação "era como uma seita, e ele era o líder dessa seita". Ela deu à BBC um raro relato sobre como era a vida como uma das "assistentes" de Epstein, detalhando como o financista conseguiu manter tantas vítimas sob seu controle por tanto tempo. Entenda a relação das pessoas mais poderosas do mundo com o empresário Jeffrey Epstein, acusado de explorar mulheres e meninas As assistentes eram um grupo de mulheres — cerca de uma dúzia ao mesmo tempo, estima Anya — que moravam em imóveis fornecidos por Epstein, trabalhavam em tempo integral à sua disposição e eram abusadas sexualmente por ele de forma recorrente.
Anya afirma que elas eram atraídas por meio de elaboradas mentiras e falsas promessas de trabalho. Depois disso, Epstein passava a controlar coercitivamente praticamente todos os aspectos de suas vidas, explorando qualquer vulnerabilidade que conseguisse identificar. Ela diz que ele controlava suas finanças, determinava com quem elas podiam se encontrar e as humilhava psicologicamente.
Também monitorava obsessivamente seus corpos e, no caso dela, a obrigou a passar por uma cirurgia desnecessária que a deixou desfigurada. O relato de Anya sobre o controle exercido por Epstein é corroborado por Sarah Kellen, outra ex-assistente. Em depoimento ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, neste ano, Kellen afirmou que Epstein se apresentava como o salvador das assistentes.
"Ele era muito habilidoso em destruir sua capacidade de tomar suas próprias decisões e de manter sua autonomia. E isso fazia com que você dependesse cada vez mais dele", disse. Existe um viés que leva muitas pessoas a acreditar que apenas crianças são suscetíveis a esse tipo de manipulação.
Mas "um adulto também pode ser aliciado", afirma a psicóloga clínica Tara Quinn-Cirillo, que trabalha com vítimas de controle coercitivo. "Qualquer pessoa pode se tornar vulnerável a isso", diz. 'Uma armadilha completa' Depois de Jeffrey Epstein ser condenado, em 2008, por abusar de uma adolescente — atraída até uma de suas casas com a promessa de um trabalho como massagista — ele mudou de estratégia.
Passou a buscar principalmente mulheres adultas, em sua maioria da Rússia e de outros países do Leste Europeu.
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