A relação entre Maria Julieta Drummond de Andrade (1928-1987) e seu pai, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), foi marcada por uma rara proximidade intelectual e afetiva. A crônica Meu Pai, escrita por Maria Julieta pouco antes de sua morte, oferece uma visão íntima do poeta no espaço doméstico.
Proximidade e afetividade
Maria Julieta construiu uma trajetória literária própria, discreta e rigorosa, vivendo grande parte da vida fora do Brasil. A crônica Meu Pai não busca retratar o poeta consagrado, mas apresenta o pai no cotidiano, nos gestos mínimos e nas manias. O texto avança como uma sucessão de lembranças breves, organizadas por afeto, sem idealização nem hagiografia.
Drummond, figura central da poesia brasileira do século 20, é retratado como um homem reservado, atento, irônico e ético. A grandeza do poeta não se afirmava pela pose, mas pela coerência entre vida e palavra.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.