O governo do Reino Unido deveria se sentir "envergonhado" pela situação do campeão de boxe Bilal Fawaz, que vive no país há mais de 20 anos sem ter um passaporte britânico, afirma seu promotor Eddie Hearn. Fawaz, de 38 anos, foi traficado para o Reino Unido aos 14 e não viajou para fora do país desde então.
Residente em Londres, Fawaz competiu como amador representando a Inglaterra antes de se tornar profissional após obter uma permissão de trabalho. Ele conquistou os títulos britânico e da Commonwealth, mas sua situação de imigração o impede de lutar fora do país ou de levar sua família em férias.
“Qual é a dificuldade?”, questionou Hearn. “Você gostaria de ir até o número 10 [Downing Street] e bater na porta para perguntar: 'Há alguma chance de resolver isso?' É a coisa mais ridícula que já ouvi.” O porta-voz do Ministério do Interior do Reino Unido informou que não costuma comentar sobre casos individuais.
A história de superação de Fawaz
A trajetória de Fawaz é abordada no novo documentário da BBC, "Fighting for Freedom", que o acompanhou enquanto se preparava para defender seu título britânico contra Ryan Kelly em Wolverhampton, em maio. Nascido na Nigéria, ele enfrentou abusos e negligência na infância, sendo enviado para viver com parentes antes de ser levado a Londres sob a falsa promessa de se reunir com seu pai.
Em vez disso, Fawaz relata ter sido mantido em cativeiro, forçado a trabalhar e impedido de frequentar a escola. “Meu melhor amigo era a janela”, lembra ele. Após escapar, ele entrou no sistema de assistência social e acabou tendo algumas condenações por infrações menores na juventude, como posse de cannabis e grafite.
A luta por reconhecimento e cidadania
Com a permissão de trabalho obtida aos 33 anos, Fawaz finalmente começou sua carreira profissional, conquistando rapidamente o título inglês de peso meio-médio e, em seguida, os títulos britânico e da Commonwealth. “O boxe me salvou”, afirma. “Me deu a sensação de que mereço mais.”
Atualmente, Fawaz está em uma rota de 10 anos para a cidadania britânica e só poderá solicitar a cidadania aos 43 anos, após completar o período exigido de residência legal. O governo britânico possui rotas de assentamento mais curtas, mas não está claro se Fawaz tinha outras opções disponíveis em sua situação.
Sem um passaporte, ele não pode aproveitar lutas lucrativas no exterior, mas pode competir no Reino Unido. Hearn destaca que a falta de um passaporte está negando a Fawaz oportunidades que poderiam ter mudado sua carreira. “Como você pode não ser permitido viajar?”, questiona Hearn, que também se beneficiaria ao conseguir lutas internacionais para o boxeador.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.