A AIE (Agência Internacional de Energia) divulgou nesta sexta-feira (10.jul.2026) que a demanda global por petróleo começou a se recuperar, após cair para 97,9 milhões de barris por dia em maio, devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã e às restrições no estreito de Ormuz. A agência estima que o consumo poderá aumentar mais de 8 milhões de barris por dia até outubro, em comparação ao mínimo de maio. Se essa previsão se concretizar, a demanda mensal superará pela primeira vez desde fevereiro os níveis registrados em 2025.
“Uma recuperação da demanda mundial por petróleo está em curso”, afirma o relatório da AIE.
Esse aumento é esperado devido ao crescimento sazonal das viagens no verão do Hemisfério Norte, à liberação de uma demanda reprimida causada pela guerra e à retomada da oferta de combustíveis. Em maio, o consumo havia ficado 5,3 milhões de barris por dia abaixo do que foi observado no mesmo período em 2025.
Dependência da paz no Oriente Médio
Contudo, a continuidade desse aumento na demanda está condicionada à resolução do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo a AIE, os cenários projetados dependem da recuperação gradual do tráfego de navios pelo estreito de Ormuz e de um acordo de paz duradouro entre os Estados Unidos e o Irã. Essa situação permitiria a reativação de campos de petróleo e refinarias na região, além da retomada das exportações de combustíveis.
O cessar-fogo entre os dois países foi rompido em 8 de julho. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou o Irã por ataques a três navios comerciais no estreito de Ormuz e ordenou bombardeios contra cerca de 90 alvos militares iranianos. Em resposta, Teerã atacou instalações dos EUA no Bahrein, no Qatar e no Kuwait. Posteriormente, Trump afirmou que o governo iraniano o procurou para discutir um novo acordo.
Projeções para o futuro
Apesar da expectativa de recuperação no segundo semestre, a AIE prevê que a demanda global por petróleo cairá em média 1 milhão de barris por dia em 2026. A retração anual deverá desacelerar de 4,8 milhões de barris por dia no segundo trimestre para 1,7 milhão no terceiro trimestre. No quarto trimestre, a expectativa é de que o consumo cresça 1,2 milhão de barris por dia em relação ao ano anterior.
Para 2027, a AIE projeta um aumento de 2 milhões de barris por dia, embora o crescimento acumulado em 2026 e 2027 fique abaixo da média histórica.
A oferta mundial de petróleo aumentou 4,1 milhões de barris por dia em junho, alcançando 98,8 milhões, com a retomada parcial dos fluxos pelo estreito de Ormuz. Contudo, a produção ainda permanece 9,4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores à guerra.
As exportações de petróleo do Golfo, incluindo rotas alternativas ao estreito, subiram para 16,1 milhões de barris por dia em junho, embora ainda estejam abaixo da média de 24 milhões de barris por dia registrada antes do conflito. A recuperação foi mais acentuada no mercado de petróleo bruto do que no de derivados, com as exportações de combustíveis refinados permanecendo abaixo da metade dos níveis anteriores à guerra.
Os preços do petróleo caíram com a retomada dos embarques, com o North Sea Dated recuando para US$ 68 por barril no início de julho, o menor valor desde janeiro, mas subindo novamente para cerca de US$ 77 por barril após a intensificação dos confrontos entre EUA e Irã.
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