O Estreito de Ormuz voltou a ser um ponto focal nas relações internacionais após os Estados Unidos realizarem novos ataques a alvos iranianos em 8 de novembro, como resposta a ofensivas do Irã contra embarcações comerciais na região. Essas ações, que incluem ameaças iranianas de fechar a principal rota marítima para o transporte de petróleo, elevaram as tensões no Oriente Médio e reacenderam receios sobre o impacto no abastecimento global de petróleo.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma passagem crucial para a indústria petrolífera mundial, sendo responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Na sua parte mais estreita, o estreito possui apenas 33 km de largura, com canais de navegação limitados a 3 km em cada direção. Entre o início de 2022 e maio de 2025, estima-se que entre 17,8 e 20,8 milhões de barris diários de petróleo bruto, condensado ou combustível tenham transitado por essa via, conforme dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa.

Impacto do fechamento do estreito no mercado global

A região é vital para países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, que exportam a maior parte de seu petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia. O fechamento do Estreito de Ormuz já causou graves problemas de abastecimento no passado, levando a oscilações nos preços do petróleo.

Atualmente, tanto os Emirados Árabes Unidos quanto a Arábia Saudita buscam alternativas para reduzir a dependência do estreito. O Catar, que se destaca como um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, também utiliza essa rota para a maior parte de sua produção. Dados da Administração de Informação de Energia dos EUA indicam que existem cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa em oleodutos que poderiam contornar o Estreito de Ormuz, conforme informações de junho de 2024.

O aumento das tensões entre EUA e Irã e as ameaças de fechamento do estreito podem impactar não apenas a economia local, mas também o mercado global de petróleo, que já reagiu a anúncios de acordos de paz e escaladas de conflito. O recente anúncio de um acordo de paz, por exemplo, provocou uma queda nos preços do petróleo na abertura do pregão de segunda-feira.