A invasão das cobras arborícolas em Guam, que devastou as aves nativas da ilha, pode ser atribuída a uma diversidade genética oculta, segundo um estudo recente da Universidade de Buffalo. A pesquisa, publicada em 24 de julho na revista Science Advances, revela que, apesar de uma fundação inicial restrita, as cobras desenvolveram variações genéticas que as ajudaram a sobreviver e prosperar.
Impacto devastador da invasão
Originárias da Austrália e do Pacífico Sul, as cobras arborícolas provavelmente chegaram a Guam após a Segunda Guerra Mundial, possivelmente escondidas em aviões de carga militar. Desde então, elas causaram sérios danos ao ecossistema local, levando várias espécies de aves a se extinguir e provocando centenas de interrupções no fornecimento de energia elétrica anualmente, ao escalar postes e equipamentos elétricos. Em algumas áreas do território dos EUA, a densidade das cobras chegou a 30 mil indivíduos por milha quadrada.
Descoberta de variações genéticas
Os pesquisadores utilizaram tecnologia avançada de sequenciamento de DNA para identificar mais de 19 mil variações genéticas significativas nas cobras, muitas das quais estão relacionadas à imunidade e ao olfato. Essa diversidade genética pode ter sido essencial para a adaptação de uma população que começou com um número reduzido de indivíduos, permitindo-lhes superar os desafios da endogamia e se reproduzir em alta densidade.
Trevor Krabbenhoft, professor associado do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Buffalo e autor do estudo, afirma: "As cobras arborícolas talvez não sejam extremamente diversas, mas possuem fontes importantes de diversidade genética que foram subestimadas".
Implicações para espécies ameaçadas
A descoberta pode ser desanimadora para as agências que lutam há décadas para conter a população de cobras arborícolas em Guam, pois a maior flexibilidade genética pode torná-las mais resilientes do que se pensava anteriormente. No entanto, isso também traz esperança para espécies ameaçadas com populações pequenas ou altamente endogâmicas. Christopher Osborne, coautor e biólogo aquático, observa: "É possível que espécies ameaçadas possam ter mais flexibilidade genética do que imaginamos".
O estudo destaca a importância de novas tecnologias de sequenciamento de DNA, que permitem a análise de longas sequências genômicas e a identificação de variantes estruturais. Essas variantes têm um impacto mais significativo na diversidade genética do que as mudanças em pares de bases individuais, o que pode mudar a forma como os cientistas compreendem a diversidade genética em espécies invasoras e ameaçadas.
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