Com a chegada do verão, tanto moradores quanto visitantes dos lagos da Irlanda do Norte se deparam novamente com um problema indesejado: a proliferação de algas azul-esverdeadas. Essas bactérias tóxicas, que podem causar irritações na pele e doenças em pessoas e animais, tornaram-se uma característica recorrente nos últimos verões.
Atualmente, existem 247 florescimentos de algas em Lough Neagh e nos sistemas hídricos da Irlanda do Norte, de acordo com o UK Centre for Ecology and Hydrology. Desses, 80 foram confirmados apenas em junho e julho.
Impacto nos negócios locais
O Departamento de Agricultura, Meio Ambiente e Assuntos Rurais (Daera) informou que duas áreas afetadas são o Lago Camlough, perto de Newry, e os Lagos Craigavon. Para Karl Toner, proprietário de um quiosque de café e de um negócio de glamping e aluguel de pranchas de paddle no Lago Camlough, o retorno das algas azul-esverdeadas teve um impacto imediato.
Toner relatou que o número de visitantes caiu drasticamente desde que um aviso foi emitido em 13 de julho. "No verão, este lugar realmente fica movimentado, mas agora as algas acabaram com isso", afirmou. Ele explicou que o calor normalmente atrai visitantes de toda a Irlanda do Norte e além, proporcionando um aumento nas vendas. "Em um bom dia, haveria centenas de pessoas aqui, nadando e aproveitando o lago, mas agora o local está vazio", lamentou.
Segundo Toner, os avisos sobre as algas nos anos anteriores já afetaram o número de visitantes, mas a situação atual é especialmente prejudicial durante um dos melhores períodos do verão. "Quando o tempo melhora, o lago é fechado. É como ter um parque de diversões e não abri-lo", disse.
Monitoramento e precauções
A Prefeitura de Newry, Mourne e Down District comunicou que foi notificada pelo Daera sobre a presença de algas azul-esverdeadas no Lago Camlough em 13 de julho e imediatamente colocou placas de aviso para alertar o público sobre os riscos à saúde. A prefeitura informou que monitora visualmente o lago e realiza testes de toxinas, mantendo os avisos até que os critérios de segurança sejam atendidos.
Um porta-voz do Daera declarou que, embora não existam "soluções rápidas", restaurar e proteger a saúde ecológica dos corpos d'água "é possível ao respeitar a ciência e apoiar as decisões difíceis necessárias".
Joanne Callan, terapeuta holística de Bessbrook, que começou a nadar ocasionalmente no Lago Camlough em 2018, destacou que a comunidade de nadadores e apreciadores de águas frias cresceu para mais de 100 pessoas, formando muitas amizades. Ela ressaltou que o lago é geralmente um centro de atividades durante o verão, mas o fechamento ou a restrição de acesso afetará muitas pessoas física, emocional e socialmente.
Os Lagos Craigavon também enfrentaram problemas semelhantes, com a prefeitura suspendendo atividades aquáticas e natação em 21 de julho devido à presença das algas. A situação está sendo monitorada diariamente, com avaliações regulares das condições da água, e as restrições permanecerão até que as condições sejam consideradas seguras.
A família Turkington, de Derrytrasna, que costuma visitar os Lagos Craigavon, expressou preocupações sobre a qualidade da água e afirmou que só considerariam usar o lago se esses problemas fossem resolvidos.
Análise da situação
Os dias ensolarados e calmos geralmente favorecem o crescimento das algas, embora este ano a formação tenha sido mais lenta devido ao clima. Ventos fortes e chuvas intensas mantiveram a superfície da água agitada, dificultando a formação de grandes matas de algas.
Estima-se que o Lough Neagh tenha armazenado cerca de quatro décadas de fósforo em seus sedimentos, nutriente que estimula o crescimento das algas. Mesmo com a algas consumindo esse fósforo, ele é constantemente reposto pela agricultura, águas residuais e outras fontes.
Por isso, abordar a poluição por nutrientes na origem é crucial para enfrentar o problema. Iniciativas como o Nutrient Action Programme desempenham um papel importante, mas não existem soluções rápidas ou simples.
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