Critica à privatização

Que a privatização não é uma panaceia para os problemas econômicos ou de infraestrutura é o que se vem constatando nos últimos tempos, especialmente no Brasil, a partir da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), concluída em julho de 2024, depois de uma série de incidentes graves, que incluíram uma explosão de gás no bairro do Jaguaré, na capital paulista, provocada pela inexperiência de operários de uma empresa terceirizada, que deixou um morto e dezenas de imóveis destruídos.

Trabalhos do economista

No caso da Sabesp, o que se pode lembrar ainda é que, em vez a aumentar a eficiência operacional, a privatização gerou expressivo número de reclamações, cortes de pessoal técnico, aumento de tarifas, reajustes contratuais desfavoráveis aos trabalhadores e debates sobre a perda de controle estratégico em serviços essenciais, como água e esgoto.

Se alguém ainda alimenta dúvidas quanto à privatização como solução mágica, é recomendável que leia a obra ‘Política industrial’ – Como os Estados Transformam as Economias’ (Contraponto Editores, 2026), do professor e economista Ricardo Paes Mamede, que contesta veementemente a ideia de que o Estado deveria intervir o mínimo possível na economia, assumindo-se apenas como mero legislador e regulador para garantir o funcionamento eficiente dos mercados.