A australiana Harvest Minerals anunciou, nesta 3ª feira (21.jul.2026), a aquisição de 8 projetos de terras-raras formados por 27 direitos minerários no Brasil. Os ativos estão distribuídos pelas regiões de Cerro Azul (PR), Capão Bonito (SP), Itapeva (SP), Sguario (SP), Mucambo (CE) e Guaratinga (BA e MG) e pertencem à Scanty Mineração Ltda, antiga subsidiária da também australiana Union Star Metals. Eis a íntegra do comunicado (PDF – 377 kB).

Parte das áreas está no Complexo Alcalino de Poços de Caldas e na Província de Terras Raras da Bahia, regiões que já concentram pesquisas e depósitos minerais de nióbio, fosfato, bauxita e elementos de terras-raras. Capão Bonito e Sguario são os projetos mais avançados. Segundo a Harvest, trabalhos de campo identificaram concentrações de terras-raras acima dos níveis normalmente esperados na superfície.

De acordo com a companhia, este é um indicativo positivo do potencial de exploração dessas áreas. PROJETOS AINDA NÃO ESTÃO EM FASE COMERCIAL Na mineração, um projeto não equivale necessariamente a uma mina em funcionamento. O termo pode designar um conjunto de áreas, dados geológicos e atividades de pesquisa reunidos sob o mesmo planejamento.

Nesse caso, os 8 projetos são compostos por 27 direitos minerários, isto é, títulos ou processos administrativos relativos a áreas delimitadas nas quais o titular pode realizar atividades conforme a fase autorizada. É plenamente possível que um projeto não se torne uma mina operante. Apesar do nome, terras-raras não são necessariamente escassas na natureza.

O termo se refere a um conjunto de 17 elementos químicos com propriedades magnéticas, ópticas e eletrônicas importantes para a indústria de alta tecnologia. A dificuldade está em encontrar jazidas com teor adequado, extrair o minério de forma economicamente viável e dominar as etapas de separação e processamento, que concentram boa parte do valor da cadeia. As autorizações de pesquisa, vinculadas aos projetos adquiridos pela Harvest Minerals permitem executar levantamentos geológicos, amostragens e sondagens para verificar a existência, o tamanho e o possível aproveitamento econômico de uma jazida.

Elas não autorizam automaticamente a produção comercial. A extração, o beneficiamento e a venda dos minerais dependem de etapas posteriores, incluindo a aprovação dos estudos e a obtenção de uma concessão de lavra. A empresa ainda não informou a existência de recursos minerais formalmente estimados, campanhas completas de sondagem ou estudos de viabilidade econômica nos ativos.

A próxima etapa deverá se concentrar no aprofundamento das pesquisas nos alvos considerados prioritários pela empresa, ou seja, que apresentam mais indícios de serem economicamente viáveis. SOBRE A EMPRESA A Harvest Minerals foi constituída na Austrália, negocia suas ações no mercado na Bolsa de Londres e concentra suas atividades no Brasil. A companhia já atua no país com o projeto Arapuá, em Minas Gerais, inicialmente desenvolvido para a produção de fertilizantes e que também apresentou indícios de terras-raras.

No comunicado, a empresa classificou o Brasil como uma “ jurisdição global emergente ” para esses minerais, devido à geologia favorável e ao aumento do número de projetos.