Há quem pense que Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro é uma neófita política. Não é. Os quatro anos como primeira-dama, circulando no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, além de contatos variados com políticos e marqueteiros, foram sua faculdade de ciências políticas.
Ela sabe das coisas e não tem nenhuma inocência. Aos 44 anos, nascida em Ceilândia, no Distrito Federal, Michelle Bolsonaro é uma política madura e inteligente. Segue à risca aquilo que seu pessoal de marketing formula — observe-se que seus vídeos são bem-feitos e relativamente enfáticos — e sempre acrescenta algumas de suas ideias.
Portanto, não deve ser subestimada, nem mesmo por jornalistas. Crise política com Flávio Bolsonaro O Jornal Opção tem conversado com pessoas que mantiveram ou mantêm algum contato com Michelle Bolsonaro. Todas dizem a mesma coisa: ela tem personalidade e não se subordina, politicamente, a ninguém — nem mesmo ao marido, Jair Bolsonaro, “por quem é verdadeiramente afeiçoada”.
Flávio Bolsonaro: o grupo do senador havia liberado os “gabinetes” do ódio do bolsonarismo contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro: | Foto: Carlos Moura/Agência Senado Nas suas reuniões, com o pessoal do marketing e políticos — como a senadora Damares Alves (Republicanos) —, Michelle Bolsonaro expõe o que pensa e ouve cuidadosamente o que os outros dizem. Examina pesquisas, qualitativas e quantitativas, com o máximo de interesse, sempre inquirindo sobre pormenores. Pode parecer, mas não é uma madame alienada.
E, sim, ela já leu sobre Evita Perón. Recentemente, segundo as fontes, Michelle Bolsonaro e seus aliados — bolsonaristas do ramo michelliano — examinaram duas pesquisas sobre o quadro sucessório no Distrito Federal. As fontes dizem que Michelle Bolsonaro não gostou nada do que viu.
Uma das pesquisou mostrou-a atrás da senadora Leila do Vôlei na disputa por uma vaga no Senado. Celina Leão: se ficar “radioativa”, Michelle Bolsonaro vai se afastar | Foto: Divulgação Michelle Bolsonaro ficou preocupada e quis saber qual o motivo que levaram à sua queda e à ascensão de Leila do Vôlei, do PDT. A ex-primeira-dama teme que Celina Leão “queime” sua candidatura.
No entorno de Michelle Bolsonaro comenta-se que José Roberto Arruda, do PSD, “se a justiça não o impedir, poderá ser eleito governador do DF” O entorno de Michelle Bolsonaro, examinando os dados, chegou à conclusão de que sua briga com Flávio Bolsonaro repercutiu bem na imprensa, e até gerou simpatia no país. Mas no Distrito Federal, reduto altamente bolsonarista, o conflito não teria pegado nada bem para Michelle Bolsonaro — daí sua queda relativa. O que fazer?
Se fosse irrealista, Michelle Bolsonaro insistiria no conflito, que lhe rendeu mídia positiva. Leila Barros, senadora do PT ultrapassou Michelle Bolsonaro | Foto: Comunicação do Senado Porém, realista absoluta — o que nada tem a ver com intelectualidade —, Michelle Bolsonaro, ao receber pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro, recuou e o aceitou. Disse que o perdoou.
Agora, é verificar a próxima pesquisa. Se superar Leila do Vôlei, a sua nova tática funcionou. Havia — na verdade, há — outro problema: pouco a pouco, a deputada Erika Kokay, do PT, vem se aproximando, quase chegando aos 30% das intenções de voto.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.