Um estudo realizado na Escola de Enfermagem da Universidade Koç investigou a percepção de autoeficácia de estudantes universitários no uso de tecnologias de inteligência artificial (IA). Sob a liderança da Professora Associada Remziye Semerci Şahin e da Professora Assistente Seda Güney, os pesquisadores adaptaram a Artificial Intelligence Self-Efficacy Scale (AISES) para o turco e avaliaram suas propriedades psicométricas. Os resultados foram publicados no International Journal of Human–Computer Interaction.

Contexto do Estudo

A tecnologia de inteligência artificial tem ganhado destaque crescente na educação superior, com plataformas de aprendizado adaptativo, sistemas de tutoria inteligente e ferramentas de feedback automatizado sendo amplamente utilizadas. Nesse cenário, a atenção se volta não apenas para o uso dessas ferramentas pelos estudantes, mas também para a confiança deles em interagir efetivamente com esses sistemas.

A autoeficácia em IA refere-se à confiança dos estudantes em sua capacidade de utilizar e se adaptar efetivamente às tecnologias de inteligência artificial. Os pesquisadores observaram que, embora existam diversos estudos de adaptação de escalas na Turquia em áreas como alfabetização em IA, ansiedade em relação à IA e aceitação de IA, escalas validadas de autoeficácia em IA focadas especificamente em estudantes universitários e ambientes educacionais são escassas. O estudo, portanto, teve como objetivo fornecer uma ferramenta de medição confiável e válida em turco para avaliar a autoeficácia em IA entre estudantes universitários.

Metodologia e Resultados

A pesquisa foi conduzida entre maio e novembro de 2025, envolvendo 284 alunos de universidades públicas e privadas em diferentes regiões da Turquia. Os participantes completaram um questionário online. Durante o processo de adaptação, a escala foi inicialmente traduzida do inglês para o turco, e sua equivalência linguística foi avaliada por meio de retrotradução. A validade de conteúdo foi então avaliada com base em expertises, seguida por um estudo piloto.

As análises apoiaram uma estrutura de quatro fatores: “Assistência”, “Interação Antropomórfica”, “Conforto com IA” e “Habilidades Tecnológicas”. Essa estrutura explicou 73,69% da variância total, enquanto a escala demonstrou excelente consistência interna, com um valor de alfa de Cronbach de 0,937. Segundo os pesquisadores, esses achados indicam que a versão turca do AISES possui forte validade e confiabilidade para medir a autoeficácia em IA entre estudantes universitários.

Implicações para a Educação

A maioria dos participantes relatou ter utilizado tecnologias de inteligência artificial anteriormente, mas apenas uma pequena parcela havia recebido educação formal ou online relacionada à IA. Apesar disso, a maioria expressou interesse em receber educação sobre o tema. Aproximadamente metade avaliou seu nível de conhecimento em IA como moderado, enquanto uma alta proporção considerou a IA útil em suas vidas diárias.

O estudo também ressalta que a autoeficácia em IA não se limita a habilidades técnicas, estando associada ao conforto, confiança e experiências emocionais dos estudantes ao interagir com sistemas de IA. Os resultados enfatizam a importância do desenvolvimento de programas estruturados de alfabetização em IA nas universidades, preparando os alunos para ambientes de aprendizagem suportados por IA.

Os pesquisadores sugerem que a versão turca do AISES pode ser utilizada em futuras pesquisas educacionais para avaliar a autoeficácia dos alunos em IA, avaliar o impacto de intervenções educacionais e monitorar mudanças ao longo do tempo.