Um novo estudo publicado na revista Big Data & Society alerta que as "guardrails" estabelecidas pela União Europeia (UE) para regular a inteligência artificial (IA) são insuficientes em ambição e execução, além de serem incapazes de absorver as rápidas mudanças tecnológicas. A pesquisa, conduzida por Alison Harcourt, Claudio M. Radaelli e Philipp Trein, aponta que as regras, que demandaram anos de negociações, tornaram-se difíceis de modificar, criando um "trapaceamento de rigidez".
Os especialistas indicam que as recentes alterações nas regulamentações representam uma "retirada parcial" antes mesmo da implementação completa da Lei de IA da UE, que deveria entrar em vigor em 2024, mas já foi substituída pela Lei de Simplificação de IA de 2026.
Falhas no cumprimento das metas da Comissão Europeia
O estudo aponta que o arcabouço regulatório da UE não atende às metas proclamadas pela Comissão Europeia de promover uma IA confiável, centrada no ser humano e que respeite os direitos. Em contrapartida, nos Estados Unidos, as regulamentações, mais flexíveis, permitem uma resposta mais ágil às necessidades do setor, sendo mais concretas e de fácil aplicação.
Comparação com a abordagem dos Estados Unidos
A pesquisa destaca que os EUA adotam uma abordagem reativa, intervindo legislativamente quando riscos específicos se tornam evidentes, o que torna a regulamentação mais aplicável do que as propostas da UE. Essa evolução, que ocorre estado por estado e setor por setor, propicia um aprendizado contínuo a partir da experiência.
Harcourt observa que a arquitetura regulatória da UE se fundamenta na ambição de antecipar a evolução dos riscos da IA e proteger os valores identificados pelas instituições da UE. No entanto, ela ressalta que essa orientação prescritiva torna difícil a implementação de uma estrutura abrangente de regulamentação em um campo tão dinâmico quanto a IA. As empresas e os tribunais já estão tentando modificar os resultados finais da Lei de IA.
Radaelli complementa que a opção da UE por um design com pouca margem para regulamentação adaptativa limita a capacidade de resposta a novos desafios. Ele destaca que a abordagem dos EUA, ao regular apenas quando há um perigo claro, é mais concreta e voltada para a aplicação, especialmente em áreas como deepfakes, integridade eleitoral e direitos individuais.
Trein conclui que, embora a UE tenha buscado construir uma governança de IA confiável e centrada no ser humano, a estrutura que foi criada é tão pesada e politicamente custosa que se torna mais difícil ajustá-la do que revogar partes dela. A abordagem dos EUA, mesmo que acidental, oferece mais espaço para o aprendizado regulatório necessário em uma tecnologia em rápida evolução.
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