No dia 14 de julho de 2026, a retórica do regime iraniano atingiu novos patamares após o funeral do falecido líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Figuras proeminentes da República Islâmica, incluindo políticos e a nova liderança suprema, têm clamado publicamente por retaliação em resposta à morte de Khamenei.
Durante a primeira sessão presencial do Parlamento iraniano desde o início da guerra, imagens divulgadas pela mídia local mostraram mais de 180 dos 290 membros da casa levantando bandeiras vermelhas com apelos por vingança. A pressão por uma resposta não se limitou ao Parlamento; veículos de mídia pró-governo, como o jornal conservador Hamshahri, publicaram listas de pessoas consideradas alvo de retaliação, incluindo políticos ocidentais e líderes militares.
Motivações por trás da retórica de vingança
Segundo o pesquisador de direitos humanos e especialista em direito, Moein Khazaeli, as ameaças do regime não devem ser vistas apenas como retórica política. Ele argumenta que a liderança iraniana busca cumprir diversas agendas com suas declarações, utilizando-as como uma forma de guerra psicológica e estratégia de dissuasão. Khazaeli acrescenta que o regime tenta projetar uma imagem de força em meio a um aparato militar e de segurança enfraquecido.
Além disso, o governo sinaliza que pode recorrer a métodos terroristas se a pressão internacional continuar. Essa ameaça é considerada séria, dado o histórico do Irã em operações no exterior, conforme ressaltou Khazaeli.
Instrumentalização do luto e apoio ao regime
O ativista político Reza Alijani observou que as cerimônias de luto por Khamenei também serviram a propósitos políticos. Ele afirmou que a liderança procurou usar as comemorações para demonstrar apoio ao regime, desviar a atenção de reveses militares e legitimar a continuidade do conflito sob a justificativa de vingança.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, reforçou essa mensagem logo após o funeral de seu pai, enfatizando a retaliação ao invés da reconciliação. Em uma declaração emitida um dia após o fim das cerimônias de luto, prometeu continuar o caminho do falecido líder, afirmando: "Juramos vingar seu sangue puro e o de todos os mártires dessas duas guerras contra os criminosos e desonrosos assassinos".
As ameaças têm como um dos principais públicos-alvo os próprios apoiadores do regime. Khazaeli destaca que, ao longo dos anos, o governo iraniano respondeu a derrotas militares ou de segurança com uma intensificação das ameaças, criando a impressão de que permanece determinado e capaz de se vingar. Essa narrativa, segundo ele, é ainda crível para parte da base de apoio do regime, sendo reforçada pela propaganda estatal.
A retórica também se destina a um público internacional, incluindo governos ocidentais e opositores do Irã no exterior, como jornalistas, ativistas políticos e defensores dos direitos humanos. As reações à recente morte do senador americano Lindsey Graham, que apoiou políticas de pressão máxima contra o Irã, evidenciam a influência dessa retórica, com a mídia estatal iraniana expressando satisfação pelo ocorrido.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.