O jornal ultraconservador iraniano Hamshahri divulgou, em 14 de julho de 2026, imagens de 13 políticos internacionais como "procurados" em resposta à morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz. A publicação ameaçou que esses políticos pagarão um preço alto por suas ações.
Entre os alvos da publicação estão o presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. As imagens retratam todos os políticos com uniformes laranja, comuns em prisões nos Estados Unidos.
Contexto das ameaças e apoio ocidental a ações contra o Irã
A situação tensa se intensificou após ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que começaram em fevereiro. Muitos países europeus têm apoiado essas ações, inclusive permitindo que aeronaves americanas e israelenses utilizem seu espaço aéreo.
No início de março, Merz declarou que o governo alemão compartilhava o alívio de muitos iranianos com a expectativa de que o regime dos aiatolás chegasse ao fim. Ele afirmou: "Nós compartilhamos o interesse dos Estados Unidos e de Israel em ver um fim ao terror deste regime e ao seu perigoso armamento nuclear e balístico." Apesar disso, o regime iraniano continua no poder.
Ali Khamenei foi morto logo no início da campanha militar contra o Irã, e seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a liderança. Ele prometeu "retaliação" pela morte do pai em uma declaração escrita. Um artigo publicado na semana passada pelo Hamshahri indicava que "a retaliação é inevitável" e que os "criminosos" levarão ao túmulo seu desejo de uma morte pacífica.
Reações na Alemanha e preocupações com segurança
Embora o governo alemão tenha se mantido reservado em sua resposta, com o porta-voz adjunto Steffen Meyer afirmando que tomaram nota da ameaça, as preocupações sobre possíveis ataques iranianos na Europa têm aumentado. O presidente da comissão de supervisão do Bundestag, Marc Henrichmann, afirmou que é preciso assumir que os serviços de inteligência iranianos estão planejando ações na Europa.
Sebastian Fiedler, porta-voz do partido Social Democrata (SPD), também expressou preocupação com a situação, alertando que eventos atuais podem estimular grupos extremistas e mobilizar indivíduos isolados para ações violentas. No entanto, muitos políticos destacaram que Merz já conta com uma segurança reforçada e que não são necessárias medidas adicionais neste momento.
O vice-presidente do Bundestag, Omid Nouripour, que nasceu no Irã, enfatizou a importância de levar a ameaça a sério, afirmando que a publicação da ameaça só foi possível com o consentimento do regime, caracterizando a situação como um comportamento hostil.
As autoridades alemãs estimam que cerca de 180 indivíduos potencialmente perigosos estejam atuando no país em nome dos poderosos Guardas Revolucionários do Irã ou do serviço de inteligência iraniano, que já demonstrou disposição para ações que configuram terrorismo de Estado.
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