Quando o incêndio Marshall devastou subúrbios do Colorado no final de 2021, os moradores tiveram apenas algumas horas para decidir para onde ir. Um estudo recente publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications sugere que essas decisões foram influenciadas não apenas pela distância ou perigo, mas também pela conexão com comunidades familiares e laços sociais.
Pesquisa sobre comportamento de evacuação
Pesquisadores da NYU Tandon analisaram dados anônimos de localização de mais de 200.000 dispositivos móveis no Colorado, antes e após o incêndio florestal que destruiu mais de 1.000 casas e deslocou milhares de pessoas. Eles combinaram esses padrões de movimento com dados demográficos e medidas de conectividade social entre bairros. A conclusão foi que os evacuados tendiam a escolher destinos que se assemelhavam às suas comunidades de origem ou onde tinham laços sociais mais fortes.
“Mesmo durante uma emergência caótica, as pessoas não se movem aleatoriamente”, afirma Takahiro Yabe, autor principal e professor assistente de gerenciamento de tecnologia e inovação no Center for Urban Science + Progress. “Elas tendem a buscar lugares onde se sentem socialmente conectadas ou onde a comunidade parece familiar.”
Desigualdade no acesso a refúgios familiares
A pesquisa também revelou desigualdades sobre quem tinha acesso a esses refúgios familiares. Residentes de bairros mais brancos, mais ricos e com maior nível de escolaridade eram mais propensos a evacuar para destinos com maior similaridade social e conectividade. Em contrapartida, populações negras, asiáticas e de baixa renda mostraram menor probabilidade de fazer o mesmo. Essa disparidade é relevante, pois redes sociais podem oferecer ajuda prática durante crises, como um quarto extra, cuidados infantis, transporte, conhecimento local ou apoio emocional.
“O acesso ao capital social pode moldar a recuperação tanto quanto os danos físicos”, diz Vaidehi Raipat, candidata a doutorado e co-autora do estudo. “Se alguns grupos têm menos opções para se deslocar para comunidades de apoio, isso pode aprofundar desigualdades já existentes após desastres.”
Impacto nas decisões de retorno
A equipe também investigou o que ocorreu após a evacuação inicial. Aqueles que se mudaram para áreas com maior conectividade social eram mais propensos a retornar para casa nos meses seguintes. No entanto, aqueles que se deslocaram para lugares demograficamente semelhantes às suas comunidades originais tinham uma probabilidade ligeiramente menor de voltar, indicando que um destino temporário confortável pode, por vezes, se tornar uma alternativa de longo prazo.
Esse entendimento pode auxiliar na elaboração de planos para futuros desastres climáticos, que estão se tornando mais frequentes e destrutivos. Pesquisadores argumentam que a resposta a desastres poderia ser aprimorada ao considerar os laços comunitários. Saber para onde os evacuados são propensos a ir pode ajudar agências a posicionar ajuda, antecipar aumentos populacionais e melhor apoiar residentes deslocados.
Embora o estudo tenha se concentrado em um único incêndio florestal, seus autores alertam que os padrões podem variar em furacões, inundações ou outros desastres. A mensagem mais ampla é clara: em momentos de upheaval, as pessoas frequentemente buscam não apenas segurança, mas também pertencimento.
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