Os Estados Unidos confirmaram no último domingo que realizaram ataques aéreos contra forças iranianas que atacaram o Jordão na semana anterior, resultando na morte de dois militares americanos e um desaparecido. O ataque americano ocorreu em um contexto de crescente tensão que pode afetar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que completou a oitava noite consecutiva de ataques a alvos iranianos. Em uma postagem na rede social X, o CENTCOM afirmou: "As forças do CENTCOM atingiram com sucesso instalações de vigilância costeira e de defesa aérea militar iraniana, capacidades marítimas e locais de armazenamento de mísseis e drones, visando continuar a degradação das capacidades militares iranianas". Além disso, as forças americanas também atacaram o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que lançou ataques contra militares dos EUA no Jordão em 17 de julho.
Em meio a esses eventos, a embaixada americana em Amã, capital da Jordânia, emitiu um alerta de segurança, informando sobre a evacuação do aeroporto internacional e do porto de Aqaba "devido a uma ameaça específica e credível", sem entrar em detalhes. No entanto, autoridades jordanianas negaram que uma decisão de evacuação tenha sido tomada. O porta-voz do governo, Mohammad Al-Momani, declarou que "nenhuma ameaça potencial foi registrada pelas autoridades jordanianas nas últimas horas" e que "o aeroporto e o porto estão operando normalmente".
Reação do Governo Iraniano
O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou novos ataques aéreos a partir de sábado às 18h (horário de Brasília), com o objetivo de "degradar a capacidade do Irã de ameaçar o transporte comercial no Estreito de Ormuz" e "punir as forças do IRGC que lançaram ataques contra militares americanos no Jordão na noite anterior", conforme indicado pelo CENTCOM. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país suspendeu seus compromissos com o memorando de entendimento assinado no mês passado com os EUA.
Gharibabadi acusou os EUA de violar e suspender todos os compromissos sob o memorando, afirmando: "Estamos ocupados defendendo nosso país". Quando questionado sobre a suspensão do acordo de paz interino por parte do Irã, Trump respondeu que "não se importava" com a situação. O memorando tinha como objetivo reabrir o Estreito de Ormuz, vital para o comércio, e pôr fim ao conflito entre as duas nações.
Tensões Aumentam na Região
O líder supremo do Irã, Ayatollah Mojtaba Khamenei, declarou que o país tem "lições inesquecíveis" reservadas para os EUA, ressaltando que os repetidos ataques americanos demonstram que a assinatura de Trump no memorando é "totalmente sem valor e desprovida de credibilidade". O governo americano não comentou imediatamente sobre as declarações de Khamenei.
As mortes dos dois militares americanos se somam aos 14 outros militares confirmados como mortos em ação desde o início do conflito com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Trump, em uma entrevista, descreveu as mortes como "muito tristes" e reafirmou seu compromisso de que os EUA "nunca permitirão que o Irã tenha uma arma nuclear".
O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, também se pronunciou sobre as mortes no X, afirmando: "Godspeed, heroes. O sacrifício deles apenas fortalece nossa determinação". Enquanto isso, o IRGC anunciou ter bloqueado quatro embarcações que tentavam se mover sob proteção dos EUA pelo Estreito de Ormuz, e o Kuwait relatou estar enfrentando ataques de mísseis e drones iranianos.
Apesar do aumento das hostilidades, Trump afirmou que a guerra com o Irã está indo bem, e ameaçou atacar pontes e usinas de energia iranianas se o país não voltar à mesa de negociações. Os preços do petróleo subiram significativamente na sexta-feira devido à instabilidade no Oriente Médio, com o barril de Brent atingindo US$ 88,10 e o WTI a US$ 82,49, ambos os maiores valores desde junho.
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