Os Estados Unidos realizaram ataques a pontes no Irã, enquanto o Irã retaliou atacando uma usina de energia e dessalinização no Kuwait nesta sexta-feira (17). Essas ações marcam uma nova escalada militar entre os dois países, após o fracasso do cessar-fogo assinado em junho.
Escalada no Mar e Apreensões no Golfo
No mar, a renovação do conflito interrompeu o abastecimento de energia do Golfo Pérsico, com fuzileiros navais dos EUA abordando um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz. Além disso, homens armados apreenderam outra embarcação ao largo do Iémen, aumentando as preocupações sobre a segurança em um dos principais pontos de estrangulamento do transporte de petróleo na região.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que a marinha da Guarda Revolucionária do Irã atacou um navio com bandeira tailandesa que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, embora não tenha fornecido mais detalhes sobre o incidente.
Consequências Econômicas e Ameaças Militares
A troca de agressões ocorre em meio a um aumento nos preços do petróleo bruto Brent, que subiram 3%, refletindo a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, antes das eleições legislativas de novembro. Trump ameaçou realizar ataques aéreos em grande escala contra a infraestrutura do Irã e não descartou ações terrestres.
Autoridades dos EUA afirmaram que os ataques ao sul do Irã visam oferecer opções ao presidente. No entanto, essas ações podem provocar uma resposta ainda mais contundente por parte do Irã, que poderia atingir a infraestrutura vital de países do Golfo ou incentivar seus aliados no Iémen a atacar navios no Mar Vermelho.
Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, alertou que, se os ataques dos EUA continuarem, o Irã poderá entrar em uma fase de operações ofensivas em grande escala, destacando a gravidade da situação.
Preocupações da ONU e Danos Civis
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com os ataques à infraestrutura civil no Irã e na região, segundo seu porta-voz. O Comando Central Militar dos EUA, que informou que seus alvos incluíam infraestrutura logística militar, iniciou ataques ao Irã pela sétima noite consecutiva.
Os ataques resultaram em mortes no Irã, com relatos de pelo menos sete pessoas mortas em ataques a pontes na cidade de Bandar Khamir. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país não permitirá que o sangue dos cidadãos seja derramado em vão.
Além disso, o Irã anunciou ataques a países do Golfo que abrigam bases aéreas dos EUA. A Marinha iraniana disparou um míssil contra um navio norte-americano no norte do Oceano Índico, causando temor e forçando a embarcação a se afastar.
A escalada de hostilidades se intensificou desde o colapso do acordo de cessar-fogo em 7 de julho, quando o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz e os EUA responderam com ataques aéreos, levando a uma nova rodada de bloqueios e tensões na região.
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