Um estudo envolvendo mais de 11 mil pessoas encontrou que a exposição a luz durante a noite está relacionada a alterações potencialmente prejudiciais na estrutura e função do coração. Os achados foram publicados no European Heart Journal em 9 de setembro.

O trabalho foi liderado pelo professor Lu Qi da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos. Segundo ele, 'embora estudos observacionais tenham ligado a exposição à luz à noite com riscos aumentados de doenças cardíacas, pouco se sabe sobre as mudanças estruturais e funcionais do coração associadas a essa exposição'. A pesquisa buscou entender os efeitos a longo prazo da luz excessiva durante a noite.

Medições e comparações

Ao longo de três anos, os participantes usaram sensores de luz no pulso para medir a quantidade de luz que recebiam durante a noite. Três anos depois, realizaram-se exames de ressonância magnética cardíaca detalhados.

Os pesquisadores compararam aqueles expostos a níveis altos de luz à noite com aqueles que praticamente não receberam luz durante a noite. Verificou-se que os primeiros apresentavam espessamento nas paredes do ventrículo esquerdo, reduzindo o espaço interno do órgão. Além disso, houve sinais de que o músculo do coração estava menos flexível durante cada batimento cardíaco, indicando possíveis problemas de função.

Consequências para o coração

Lu Qi afirma que essas mudanças representam o início de um processo chamado remodelamento cardíaco, onde a estrutura e a função do coração mudam em resposta a estresse crônico ou lesões. Embora seja uma adaptação inicial, no longo prazo isso enfraquece o coração e pode levar à insuficiência cardíaca.

Ele destaca que a poluição luminosa se tornou um novo fator de risco para doenças cardíacas. Os achados deste estudo, juntamente com evidências de outros trabalhos, sugerem que a redução da exposição à luz à noite deve ser considerada uma estratégia preventiva por médicos e policymakers.