A capital da Venezuela, Caracas, inicia um processo de recuperação após os devastadores terremotos de 24 de junho. Com o aumento do número de veículos nas ruas e a reabertura de lojas, shoppings e academias, a cidade demonstra sinais de normalidade, mesmo que muitos estabelecimentos ainda operem em horários reduzidos.
O tráfego, que costuma ser caótico, apresenta um fluxo mais tranquilo, especialmente durante os horários de pico, uma vez que as aulas permanecem suspensas. Entretanto, o retorno ao trabalho é parcial, com diversas empresas transferindo suas operações para outros locais enquanto avaliam a segurança de suas instalações, danificadas pelos tremores.
Nos prédios residenciais, o retorno dos moradores é lento, com áreas de acesso restrito devido a inspeções técnicas das estruturas afetadas. As autoridades implementaram um sistema de semáforo para determinar quais imóveis são seguros para ocupação. Em alguns casos, apenas reparos menores foram autorizados, enquanto as obras mais complexas aguardam avaliações detalhadas.
Realidade muito diferente a apenas alguns quilômetros de Caracas
Enquanto Caracas tenta retomar a normalidade, a situação em La Guaira, a cerca de 30 quilômetros da capital, é alarmante. O estado foi declarado zona de desastre após ser severamente atingido pelos terremotos. Muitas famílias ainda não sabem onde irão morar após perderem suas casas.
Dados apresentados por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, indicam que até a semana passada, 189 edifícios haviam desabado em todo o país, com 158 deles localizados em La Guaira. Uma análise de imagens de satélite da Universidade Estadual do Oregon estima que cerca de 59 mil edificações foram danificadas ou destruídas em todo o território venezuelano.
Em Caraballeda, uma das áreas mais afetadas e anteriormente um destino turístico popular, Mercedes Osuna tenta reconstruir sua vida após perder a irmã e assumir a responsabilidade por quatro crianças. Nos últimos dias, ela tem vivido em um abrigo junto com suas filhas e seus sobrinhos, Damián e María, que perderam a mãe quando o prédio onde moravam desabou.
“Eu realmente preciso de uma casa. É difícil aqui com os quatro filhos”, declarou Osuna à CNN. Antes do terremoto, ela já enfrentava os desafios de ser mãe solo e trabalhava na Hidrocapital, empresa estatal responsável pelo abastecimento de água. Sua irmã, Olga, estava grávida no momento da tragédia.
A situação em La Guaira ilustra a gravidade da crise enfrentada por muitos venezuelanos, que buscam recomeçar em meio à destruição e incerteza.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.