Ferrogrão e o futuro do escoamento de grãos no Brasil

Gestão do escoamento de grãos ganha novo impulso com a decisão do STF

No início de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 13.452/2017, que permitiu a expansão do Parque Nacional do Jamanxim para viabilizar a Ferrogrão (EF-170). A decisão eliminou um dos principais obstáculos legais ao projeto, que busca facilitar o transporte de grãos pelo país, apesar de ainda depender de licenciamento ambiental.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) retomou os processos para atualizar documentos e estudos de viabilidade da concessão, com a intenção de encaminhar a documentação revisada ao Tribunal de Contas da União (TCU). A aprovação pelo TCU é uma etapa crucial antes da publicação do edital e do leilão.

A Ferrogrão, projetada para conectar Sinop (MT) a Miritituba (PA), terá cerca de 933 quilômetros e integrará a produção do Centro-Oeste ao sistema hidroviário do Tapajós e aos portos do Arco Norte. O corredor poderá transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas por ano, reduzindo a pressão sobre a BR-163 e ampliando as alternativas para o escoamento de soja e milho.

O projeto ganha relevância diante da dependência do Brasil em relação ao transporte rodoviário. Um estudo do USDA mostra que, em 2023, 54% da soja destinada à exportação chegou aos principais portos brasileiros por caminhões, enquanto 33% utilizaram ferrovias e apenas 12% hidrovias.

No GAFFFF 2026, o tema estará em destaque no Painel 13C: ‘Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção’, moderado por Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA.