É um dia de sol forte de junho de 1993, quando Folarin (Sope Dirisu) leva os dois filhos para Lagos, capital da Nigéria. Pai de família, ele precisa cobrar os meses de salários atrasados, dinheiro conquistado com o suor do rosto. A vida é dura, mas ainda há esperança: o país africano vive a expectativa de deixar para trás os anos de regime militar com a eleição de um democrata que pode representar um novo e promissor começo não só para Folarin, mas para todos os nigerianos.
Política e paternidade em tela
Ao fundo, somos transportados para a eleição presidencial de 12 de junho de 1993, vencida por MKO Abiola, mas anulada pelo regime militar de Ibrahim Babangida antes da conclusão oficial do processo. O ato afundaria a Nigéria em uma caótica crise política e social. Enquanto isso, Folarin atravessa Lagos com os pequenos Akin e Remi, deixando de ser apenas a figura impenetrável do pai, papel que foi obrigado a assumir em uma sociedade que exige dureza e insensibilidade.
A política está, obviamente, nas ruas, nas conversas, na presença dos militares e na expectativa de uma população que acredita estar diante de uma mudança. Ao mesmo tempo, tudo aquilo é indecifrável aos olhos dos dois meninos, filhos de Folarin, que estão apenas passando um dia com o pai.
Uma das cenas mais fortes da obra, quando Folarin descobre que a eleição foi anulada, revela como um ser humano reage diante do desmoronamento de suas últimas esperanças numa vida melhor, para ele e para os filhos, e também para milhões de nigerianos que ansiavam por um novo horizonte.
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