O Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) está conduzindo uma fiscalização inédita que visa avaliar as iniciativas do governo estadual para mitigar os impactos ambientais decorrentes do aumento do turismo no Rio Araguaia. Essa fiscalização abrange planejamento, educação ambiental, gestão de resíduos sólidos e fiscalização, especialmente durante a alta temporada, quando o fluxo de turistas na região se intensifica.
Em entrevista ao Jornal Opção, o auditor Lucas Monteiro detalhou que a fiscalização pretende garantir uma presença mais efetiva do Estado durante o período de maior circulação de visitantes, embarcações e acampamentos. “A ideia do Tribunal de Contas é analisar as ações de planejamento, educação ambiental e fiscalização ambiental que o Estado de Goiás vem realizando nessa época”, afirmou.
Objetivo da fiscalização
Monteiro destacou que a ampliação da atividade turística requer uma resposta adequada dos órgãos públicos. “A presença do Estado nessa época tem que ser bem mais fortalecida para a preservação ambiental do Rio Araguaia e de seus afluentes”, acrescentou. A equipe do TCE-GO já visitou o distrito de São José dos Bandeirantes, em Nova Crixás, e os municípios de Aruanã e Aragarças, que foram selecionados para a amostra inicial do levantamento.
Durante as visitas, os auditores interagiram com turistas, ribeirinhos, comerciantes e gestores municipais, além de verificar a cooperação entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e órgãos como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
Coleta de dados em andamento
Ainda em fase de coleta e análise de informações, a fiscalização não pode divulgar resultados ou irregularidades até que o processo seja concluído e apreciado pelo plenário do TCE-GO. Monteiro enfatizou que “estamos na fase de coleta de dados e evidências, então não podemos antecipar nenhum achado”. Após a análise, o relatório poderá apontar falhas e fazer recomendações para melhorar a atuação do governo na região.
Os pontos avaliados incluem atividades de conscientização para turistas, presença de fiscais, destinação de resíduos sólidos e a colaboração da Semad com prefeituras e outros órgãos. Importante observar que a fiscalização não envolve testes diretos sobre a qualidade da água, focando apenas nas políticas de educação e fiscalização ambiental.
Preocupações com resíduos e esgoto
Embora a qualidade da água não seja o foco da fiscalização, questões relacionadas a lixo e esgoto gerados nos acampamentos são preocupações centrais. Uma pesquisa da Goiás Turismo, realizada durante a temporada de 2025, revelou que 400 responsáveis por grupos de visitantes relataram a necessidade de mais lixeiras, coleta seletiva e campanhas de conscientização ambiental. O relatório também apontou problemas como acúmulo de resíduos nas praias e descarte inadequado de dejetos.
O Plano Anual de Fiscalização Ambiental da Semad prevê 650 ações em 2026, com foco na preservação da vegetação, poluição, gestão de resíduos e licenciamento ambiental, sendo o maior número programado entre as regiões do estado. A fiscalização busca equilibrar a movimentação econômica do turismo com a proteção das áreas naturais e comunidades que dependem do rio.
O relatório do TCE-GO deve ser concluído entre agosto e setembro, dependendo do andamento da fiscalização e necessidade de novas diligências. A relatoria está sob a responsabilidade do conselheiro Celmar Rech.
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