Frutas originárias de diversas partes do mundo têm conquistado espaço tanto no cultivo quanto na mesa dos goianos. Espécies antes pouco conhecidas, como mirtilo, pitaya, atemoia, lichia, graviola, mangostim, cherimoia e abiu amarelo, estão agora diversificando a fruticultura do estado e criando novas oportunidades de renda para pequenos produtores. Essas frutas, adaptadas ao clima do Cerrado através de pesquisas e técnicas de cultivo, despertam o interesse de agricultores em várias regiões de Goiás.
Ainda que a expansão ocorra de maneira gradual, já é possível notar a produção dessas frutas em municípios como Cristalina, Planaltina de Goiás, Goianápolis e Hidrolândia, entre outros do Cinturão Verde. Além da comercialização in natura, muitos produtores estão agregando valor ao negócio com a produção de geleias, polpas, frutas congeladas e mudas, além de iniciativas de turismo rural, ampliando as possibilidades de geração de renda.
Crescimento da demanda por alimentos saudáveis
A expansão das frutas exóticas está em sintonia com o aumento do interesse dos consumidores por alimentos diferenciados e saudáveis. Embora ainda sejam consideradas produtos de nicho, a demanda vem crescendo anualmente, o que está impulsionando novos investimentos na fruticultura goiana. Espécies como mirtilo, pitaya, graviola, atemoia e lichia se destacam como apostas para diversificar a produção agrícola do estado.
Segundo o gerente técnico da Ceasa Goiás, Josué Lopes, a atemoia e a pitaya são as frutas que mais têm atraído a atenção dos produtores nos últimos anos. “A atemoia está avançando bastante. O produtor percebe que existe demanda e vai ampliando a produção aos poucos. É o mercado quem dita esse crescimento”, afirma. Atualmente, essa fruta é cultivada em municípios como Goianápolis e Hidrolândia.
Apesar do crescimento, a comercialização dessas frutas ainda é limitada na Ceasa, com poucos produtores oferecendo esses itens no entreposto. Muitos preferem vender diretamente ao consumidor final, em supermercados ou feiras. Josué Lopes destaca que o crescimento no setor precisa ser cauteloso para evitar excesso de oferta, já que o preço de mercado pode variar consideravelmente.
Desafios na produção de mirtilo
A produção de mirtilo começa a se expandir em Goiás, especialmente nas regiões de Cristalina e em municípios próximos ao Distrito Federal. De acordo com a técnica de campo do Senar Goiás, Angelamar Mendes Ferreira, a cultura tem sido desenvolvida principalmente por pequenos produtores. “O mirtilo tem muita produção no Canadá e nos Estados Unidos. Aqui em Goiás, temos identificado produtores principalmente nos municípios do entorno do Distrito Federal”, afirma.
Angelamar ressalta que a cultura do mirtilo está presente em Cristalina há cerca de cinco anos, com a maioria dos produtores cultivando áreas de cerca de um hectare. Um dos atrativos do mirtilo é sua rápida produção, que permite a colheita já no primeiro ano, dependendo do manejo e da irrigação adequados.
A Ceasa Goiás tem incentivado os produtores a focar em qualidade e apresentação dos produtos, buscando conquistar novos mercados. O Cinturão Verde, responsável por cerca de 80% dos hortifrutigranjeiros comercializados na Ceasa, desempenha um papel fundamental no abastecimento da região metropolitana, especialmente em situações de crise.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.