O governo britânico está se preparando para lançar uma iniciativa que visa restringir patrocínios de cassinos não licenciados em equipes esportivas, em resposta a críticas de que a demora nas propostas permitiu que empresas de apostas offshore firmassem acordos lucrativos com clubes da Premier League.
Desde fevereiro, quando o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS) anunciou o início de uma revisão, o progresso nas ações contra operadores de jogos não licenciados estagnou. Fontes bem posicionadas informaram ao Guardian que a consulta será iniciada esta semana.
Patrocínios polêmicos em meio à inação
Uma importante negociação de patrocínio, firmada durante esse intervalo, reforçou as preocupações levantadas por uma das maiores empresas de jogos licenciadas do Reino Unido. Stella David, CEO da Entain, proprietária da Ladbrokes, escreveu em junho ao ministro de jogos, Baroness Twycross, pedindo ações rápidas do governo. Ela alertou que acordos de patrocínio com empresas não licenciadas estavam sendo “certamente finalizados”.
A previsão se confirmou rapidamente, quando o Everton FC anunciou um contrato de patrocínio de três anos com o cassino em criptomoedas Stake.com, desconsiderando recomendações da Comissão de Jogos que aconselhavam cautela na celebração de tais acordos.
Um importante membro da indústria solicitou que o prefeito de Manchester, Andy Burnham, um crítico do setor de jogos, condenasse o acordo. “Burnham se posicionou contra as apostas ao assumir a prefeitura, mas seu próprio clube de futebol está aceitando dinheiro de uma empresa de jogos não regulamentada”, afirmou a fonte.
Implicações legais e regulamentares
A Stake abriu mão de sua licença para operar no Reino Unido no ano passado, em meio a uma revisão regulatória de suas práticas. A Comissão de Jogos alertou as equipes esportivas que elas e seus executivos poderiam ser responsabilizados criminalmente se fossem descobertos promovendo negócios de jogos não licenciados que operam com consumidores britânicos. A Stake alega que não aceita apostas no Reino Unido.
Apesar disso, a legislação atual não impede que cassinos não licenciados, como a Stake e outras marcas que visam principalmente espectadores de futebol na Ásia Oriental, patrocinem clubes britânicos. A consulta do governo, que será lançada em breve, buscará opiniões especializadas sobre propostas para fechar essa brecha.
A revisão tão aguardada ocorre um mês após o alerta de David a Twycross, onde ela expressou que a inação do governo “aumenta o risco iminente de clubes de futebol interpretarem a ausência de ação como um sinal verde para entrar em novos acordos de patrocínio para a próxima temporada”.
David também advertiu que alguns cassinos não licenciados estavam fazendo apostas ilegalmente no Reino Unido, afirmando que eles “lucram com redes criminosas internacionais, privam o Tesouro de receitas fiscais e têm um efeito prejudicial sobre o bem-estar dos consumidores britânicos, especialmente os mais vulneráveis”.
Um porta-voz do governo declarou: “Não é correto que operadores de jogos não licenciados possam patrocinar alguns de nossos maiores clubes de futebol, aumentando sua visibilidade e potencialmente atraindo fãs para sites que não atendem aos nossos padrões regulatórios.”
O Everton FC não comentou a situação, e Andy Burnham não respondeu a pedidos de comentário.
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